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A Vicoustic nasceu em Almada, mas acabou por sediar-se na região. Fotografia: Direitos Reservados

Lady Gaga, David Guetta, U2, Macklemore. O que têm estes artistas em comum, além de serem conhecidos em qualquer parte do mundo? Todos já usaram isolamento acústico produzido no Vale do Sousa.

O IMEDIATO esteve à conversa com o CEO da Vicoustic, César Carapinha, empresa que se dedica à conceção de produtos para isolamento acústico. “O meu background é na área da matemática, mas sempre tive o ‘bichinho’ da música. Criei uma empresa ligada a equipamentos de gravação para estúdios e o que me faltava mesmo era isolamento acústico”, contou.

Assim nasceu em Almada a Vicoustic, que prontamente começou “a escalar e evoluir de forma sustentada”, ganhando notoriedade no mundo da música. Quatro anos depois, o objetivo já era assegurar a produção própria e os olhos de César Carapinha viraram-se para o Norte, tendo em conta a “maior abertura” que existe a nível de apoios comunitários para a industrialização.

Aí, a fama da “Capital do Móvel” entrou em cena, atraindo o CEO com a tradição do mobiliário, sendo que as competências no ramo estão relacionadas com o trabalho desenvolvido pela Vicoustic – e acabou por sediar-se no concelho.

Passo a passo, a empresa acabou por “abrir o leque” de serviços e se, no seu arranque, se focava na criação de materiais de isolamento acústico para produção musical, agora recebe projetos de salas de cinema em casa, auditórios e até mesmo escritórios.

Já com cerca de 70 funcionários, a Vicoustic encontra no estrangeiro praticamente a totalidade do seu trabalho, com especial destaque para os EUA e a Ásia. “É muito mais complicado arranjar clientes em Portugal do que no estrangeiro”, confessou o CEO ao IMEDIATO.

Sustentabilidade e inovação são prioridades para a Vicoustic

Para César Carapinha, o sucesso da Vicoustic recai sobre dois pilares: a inovação e a sustentabilidade. “A economia circular é muito importante para nós. Tentamos usar materiais menos poluentes, reciclar e reutilizar resíduos, esta aposta é muito bem vista pelos clientes, que têm as mesmas preocupações”, contou o CEO.

Ainda no ano passado, a Vicoustic conquistou um dos prémios de design mais conceituados a nível mundial – o Red Dot Award – sucedendo a marcas como a Ferrari, Siemens ou Porsche. A distinção foi atribuída à coleção de painéis acústicos GEN_VMT, construídos de forma sustentável a partir de garrafas de plástico recicladas.

Estima-se que a Vicoustic já tenha aproveitado mais de 250 toneladas de resíduos plásticos, aproximadamente 22 milhões de garrafas.

Retirar uma lição da pandemia

A pandemia veio “abalar” a Vicoustic, com uma grande diminuição de cerca de 40% em áreas como os escritórios, mas trouxe também um aumento na área de cinemas e estúdios domésticos, por exemplo.

“Vimos esta altura como uma oportunidade, criou espaço para libertar fluxos de fabrico e tempo para repensar a forma de trabalhar. Retiramos uma lição”, confessou o CEO. Assim, a Vicoustic está a planear a criação de uma “mega fábrica” em Paços de Ferreira, unindo as três unidades fabris que atualmente tem dispersas pelo concelho.

“É um momento de oportunidade para investir na mudança”, rematou César Carapinha.

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