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Passou recentemente o dia 23 de Março e nessa data, exactamente, começaram as comemorações dos 50 anos do 25 de Abril… Essa foi a meta escolhida porque nessa data, o nosso tempo de ditadura e de democracia se equivalem: 17.499 dias vividos. Esse foi, está a ser, um dia simbólico porque, desde aí, estamos a viver o tempo em que a democracia ultrapassa a ditadura…

Hoje, já todos sabemos que o futuro é sempre construído a partir da História e, quando começamos a sentir que já há um cerco à democracia, essa data é ainda mais relevante. Porque é cada vez mais urgente comemorar essa data histórica e porque é cada vez mais forçoso falar para aqueles que nasceram depois de Abril de 74… Para quem essa memória histórica começa a ser difusa e menos presente. Para esses, é preciso dizer que a defesa da democracia é uma missão fundamental de quem a vive. Porque é preciso lembrar que a causa não ficou ganha num só dia de 74. Dizer-lhes que, a alguns devemos a democracia, muitos deles ainda entre nós e muito pouco ouvidos e pouco reconhecidos pelo imenso que fizeram. Para todos, é nosso dever zelar por ela em cada dia. E estar atentos! Para que não esqueçamos que os sistemas ditatoriais limitam sempre a liberdade de expressão mas não a liberdade de pensamento…

Ainda não está totalmente resolvido!

Por isso, a um mês de o país comemorar os 48 anos do Dia da Liberdade, lembram-se as conquistas e as vantagens que temos consolidado mesmo que tantos comecem a considerá-las quase exóticas ou outra coisa qualquer…Mesmo que para muitos a celebração do 25 de Abril seja quase só um dia para descansar, a data continuará a ser um dia de enorme festa e o ano de 2022 também terá de ser uma data inesquecível. E um ano especial! Porque foi a marca do fim de uma época terrível de opressão e porque para as gerações futuras este será também um ano de esperança. De pavor também! Nasceram medos e forjaram-se novos combates que se julgavam desnecessários: A Rússia parecia ensaiar passos para a liberdade… A China conseguia uma espécie de milagre dos opostos, capitalismo e comunismo no mesmo Estado… O mundo progredia como nunca se vira antes… Sonhava-se com uma paz possível e o ano de 2022 marcará a diferença para pior. Renasceu a ameaça nuclear e a mesma Rússia está a levar a cabo uma guerra cruel que nos afecta a todos. Não sabemos qual será o resultado disto tudo mas podemos já salientar que a paz, a democracia e a justiça foram atacadas. Muitos sinais de progresso e de bem-estar social foram interrompidos. Continuaremos sem saber o resultado de uma guerra que nos afecta, mas já sabemos que a paz e liberdade foram abaladas. Com a paz seriamente interrompida, sobra-nos o desejo maior de celebrar a liberdade. A nossa conquista e o amor pela liberdade!

Este irá ser um tempo longo para comemorar, para preservar na memória sobretudo. Numa qualquer cápsula do tempo, num qualquer registo em papel onde também poderá caber o excerto de um poema que peço emprestado à jovem poeta americana, Amanda Gorman e que transcrevo aqui:

“Não vamos marchar de regresso ao que foi,

Mas dirigir-nos para o que será:

Um país ferido, mas inteiro,

Benevolente, mas ousado,

Forte e livre.”

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