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Naturalmente, continuo, mesmo sozinha, a lembrar o escritor a quem devemos um Prémio Nobel. Porque o merece, porque é preciso louvar e recordar Saramago!

Mesmo à distância, tantas vezes, continuo empenhada em celebrar o centenário do nascimento do escritor. As novas edições dos livros que escreveu, as conferências, as exposições, os bailados… tudo o que os vários jornais e revistas vão divulgando e que, na medida do possível, me deixam mais feliz por sentir que estou presente em tudo, ou quase tudo o que se vai fazendo no país. E está a ser tanto… Quase tanto como eu previa, afinal…

Muito recentemente, integrada nas comemorações do centenário de Saramago, o Presidente Marcelo, presente na inauguração da exposição, A oficina de Saramago na Biblioteca Nacional, escreveu sobre o assunto. E lembrou que, para quem escreve, tudo é Oficina ou, de outro modo, escritório ou mesmo laboratório… Lembrou também que, se hoje há um “Universo Saramago” isso significa todas as matérias, de todos os materiais, que deram origem aos seus livros… E recomendou a necessidade de pesquisar os cadernos, a correspondência, a leitura, as provas emendadas, as consultas, os imensos estudos que o autor Saramago fez nas Bibliotecas, tantas, que frequentou…

Não posso, como referi, estar presente em todas as manifestações de reconhecimento e louvor que já se fazem em todo o país. Mas não deixo passar em claro este ano significativo na nossa Literatura…

Ainda em Novembro de 2021, saiu uma nova edição, comemorativa, de Viagem a Portugal que teve a sua primeira edição em 1981… Esta, recente, que inicia com um texto de homenagem ao escritor, contém fotografias do próprio Saramago e, nas cerca das 800 páginas, é fácil seguir o caminho que o próprio escritor/viajante percorreu: montanhas, vales e planícies, cidades e aldeias, monumentos e pessoas, tudo o que um olhar atento e curioso quis descobrir.

E é aqui, com este texto, que hoje quero salientar a passagem de Saramago pelo nosso concelho. Nada feliz, como se pode ver:

“Depois a paisagem vai descaindo… há espaço para abrir grandes áreas de cultivo, fundos e planos vales. Em Paços de Ferreira o viajante desatinou o caminho. Não lhe faltaram explicações, vire além, primeira à direita, terceira à esquerda, apanha a estrada alcatroada, e depois segue em frente até à Escola. Eram matemáticas demasiadas. O viajante ia, voltava para trás, repetia a pergunta a quem já tinha perguntado, sorria amarelo quando lhe perguntavam: Então não deu com o caminho? Olhe que é fácil, vire além, primeira à direita, etc. Lá pelas tantas, em desânimo, o viajante encontrou a sua fada benfazeja: uma alta mulher, morena, de olhos azuis, fundos, figura de cariátide, enfim, uma espécie de deusa rústica das estradas… Encontrou o viajante a igreja do Mosteiro de São Pedro de Ferreira, onde afinal não pôde entrar…” (pág. 190)

Afinal, não é nada difícil tirar conclusões. À distância de alguns anos, Paços é como foi. Uma terra difícil e confusa onde a cultura pouco importa, de portas fechadas tantas vezes…

E destas linhas transcritas, resta-me uma quase imposição: Que se definam os caminhos para uma Cultura de verdade, sem entraves, sem manias, sem amuos…

Que se abram realmente as portas à celebração de Saramago já que não foi nada feliz quando por aqui passou!…

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