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A crise sanitária que afeta Portugal e o mundo caminha, expectavelmente, para o controlo e estabilização da situação epidemiológica, mas abre uma nova frente de desafio da recuperação económico-financeira e, por consequência direta e inultrapassável, com repercussões no emprego.

Embora transversal ao contexto europeu, o país terá novos desafios na forma como vai restaurar o tecido empresarial e industrial para retomar a sua atividade e estimular a disponibilidade de emprego, agravada pelos últimos desenvolvimentos, que colocam à deriva imensas famílias portuguesas.

Por um lado, projeta-se o cenário de muitos portugueses que se viram forçados a encerrar os seus negócios, fruto da paragem da economia mundial, o que representou o desemprego para muitas e muitos portugueses, que até então encontravam-se numa posição de relativa orientação da sua conjetura familiar.

Por outro, a estes juntam-se milhares de portugueses que já tinham sofrido os efeitos do fecho de portas e que, perante o momento em que vivemos, estão hoje com constrangimentos crescentes e complexos.

Se as perspetivas eram de esperança, atendendo à inversão dos números do desemprego em Portugal, que atingiram mínimos históricos pré-pandemia, atualmente abriu-se uma janela de oportunidade no que à qualificação do emprego diz respeito.

A par da criação de mais postos de trabalho, interessa olhar responsavelmente para o quadro da empregabilidade nacional e encontrar formas de ajustar as condições de trabalho, atingindo o equilíbrio entre uma nova dinâmica empresarial e a concretização de remunerações justas e adequadas aos modelos sociais atuais.

Em particular na região do Vale do Sousa, esta pandemia veio confirmar, com o impacto do primeiro período de pandemia (2020), uma subida de 28,2% nas taxas de desemprego, acima da média de aumento nacional, que se cifrou nos 23,4%, verificando-se maior incidência precisamente nas áreas territoriais mais industrializadas.

Na forma de contrariarmos os dados agravados pela segunda fase de confinamento, importará fazer acompanhar com a valorização do trabalho, que definitivamente corresponda às necessidades daqueles que diariamente contribuem para o peso que a região representa no contexto nacional, bem como permita a fixação e atração das novas gerações, cada vez mais qualificadas, de forma a estimular a otimização das empresas locais.

O potencial da indústria do calçado, do mobiliário de madeiras e do vestuário, os três setores predominantes, tem vindo a ser reconhecido internacionalmente, nomeadamente com o crescimento das exportações na região, demonstrando a qualidade da mão-de-obra que existe nos diversos concelhos e revelando a aposta na modernização e inovação laboral, que não deve nem pode parar, mesmo que essa intenção implique um grande esforço por parte dos empresários da região.

O caminho apela, por essa razão, ao estímulo das empresas, incentivando a retoma com a pujança que ambicionamos, e ao incentivo à melhoria da produtividade laboral, recorrendo aos instrumentos de reconhecimento da prestação do trabalhador e à disponibilização dos meios indispensáveis para a eficiência e segurança dessa execução.

A demografia favorável de uma população tendencialmente jovem, a experiência e a especialização nas áreas de intervenção dominantes devem funcionar como fatores de impulso ao tecido empresarial e industrial, corrigindo as debilidades identificadas, num exercício onde a Comunidade Intermunicipal e os municípios podem desempenhar um papel de mobilização e concertação de uma estratégia integrada e plural.

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