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Vivemos mesmo um tempo de paradoxos! Se há os que ponham em questão o que a ciência comprova, há os que pensam que ela é remédio para tudo. Na Medicina em particular, esta dicotomia toma proporções que não fossem ser cómicas, seriam só preocupantes.

O apogeu desta aparente contradição vive-se no universo da saúde mental. Por um lado, há os que desprezam a necessidade da psiquiatria, os que não entendem sequer como é que as pessoas adoecem das emoções (ora essa, isso não lhes acontece a elas). Do outro extremo temos os que pretendem medicar tudo e qualquer coisa, que acreditam que qualquer vontade, cada não que queriam que fosse sim, cada sensação, pode ser erradicada com um simples comprimido ou meia dúzia de palavras mansas.

(E pensar que há uns anos era um tabu tomar medicação psicotrópica! Que dizer então da pobre pessoa que visitava o seu psicólogo ou o seu psiquiatra! Ainda hoje se ouve, aqui e ali, à menor sugestão de uma consulta – eu não sou maluco!)

Desligámo-nos tanto de nós, das nossas sensações, das nossas contemplações e entendimentos que tudo o que se passa em nós, tudo o que possa perturbar o nosso bem-estar é patológico. Mas não é! Um luto não é necessariamente patológico. Chorar pode ser libertador. Sensações no peito? Não são sempre enfartes nem ansiedades.

Viver doí. Todos sabemos isso. Todos apregoamos isso no desalento da nossa frustração momentânea. Claro que queremos que o desconforto passe… e rápido! Mas, por vezes, a forma mais rápida é precisamente sentir essa dor, enfrentá-la, deixar que ela tenha o seu tempo e lugar para não se tornar, de facto, uma doença.

Depois, importa saber saúde, pela sua saúde! A iliteracia em saúde é assustadora. E aí, a culpa é da monetização e consequente temporização do que é imensurável, que é a vida. Consultas de dez a vinte minutos não produzem mais conhecimento em saúde. Produzem resolução parcial de um problema, talvez, mas não dão margem de manobra para dúvidas, questões ou maiores esclarecimentos e daí só nasce medo do que não se sabe, do que não se perguntou e não se esclareceu, e a roda da psiquiatrização lá começa outra vez!

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