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“Precisamos da história , mas de maneira diferente do ocioso mimado no jardim do saber”

Nietzsche, «Das vantagens e dos inconvenientes da História para a vida»

Entramos no ano de 2022, o qual se pretende, como sempre, em cada início de ano, como sendo o do início da melhoria do viver de cada indivíduo. Acresce que o início deste ano, para além de ser marcado pelo recrudescer da pandemia, também o é pela realização de eleições legislativas, portanto, pela decisão sobre o modo como seremos governados nos próximos anos.

Após a revolução de 25 de Abril de 1974, salvo um curto período que imediatamente se seguiu a essa data, a ideia que tem presidido à forma como temos sido governados não é substancialmente diferente das teorias que vários autores documentaram há 100 anos. Um período da história, o do início do século XX, que apresenta algumas semelhanças com o início deste nosso século XXI. Trata-se de uma prática de governo que não considera a realidade e que parte de uma pretensão dogmática relativamente ao progresso. O progresso é entendido em primeiro lugar como aquele que é próprio da humanidade e não apenas das suas capacidades e conhecimentos. Em segundo lugar, como um progresso que nunca estaria concluído, a que corresponde um aperfeiçoamento infinito da humanidade. Em terceiro lugar, é visto como algo imparável, em espiral contínua. Qualquer um destes atributos se mostra controverso. Num espaço mais alargado poder-se-ia iniciar o debate por qualquer um deles. No entanto, no extremo das posições torna-se clara a necessidade de recuar à raiz de cada um desses atributos e fixar-se no ponto que é comum a todos. Este ponto, o que deve ser sujeito à crítica, ao debate, é o da própria ideia de progresso.

O conformismo, que tem sido o apanágio de todo este tempo que acima mencionei, prende-se não apenas com a estratégia política, mas também com toda a conceção económica. A corrupção, que já se tinha verificado no século XIX e sobretudo no princípio do século XX, das classes trabalhadoras, ao fazê-las crer que estavam integradas na corrente dominante mercê do desenvolvimento mecânico da altura, verifica-se na contemporaneidade com o desenvolvimento digital.  O desenvolvimento tecnológico, antes como agora, é o declive da corrente que se julga acompanhar. Daqui à ilusão de que o trabalho é integrante do progresso técnico e, por isso, se constitui como uma conquista política, é um pequeno passo.

Há uma espécie de um enlear inscrito naquilo que Walter Benjamin, descreve como  “tradição dos oprimidos”. A tradição que nos ensina que o “estado de exceção” em que vivemos é a regra. Olhar para o que queremos a partir da fixação de princípios que resultam do conceito de história,  que corresponde a esta ideia, torna-se numa tarefa essencial. A tarefa de provocar o verdadeiro estado de exceção. O que nos permite a todos chegar a uma ideia de progresso que evite todo o tipo de correntes que visam limitar a nossa liberdade , impedir a igualdade civil e o despedaçar a fraternidade. Por tudo isto, é preciso votar, mas mais ainda , é imperioso exigir mudanças na ideia de governação. O tal estado de exceção à opressão consentida está nas nossas mãos e não nas de quem se apresenta para nos representar.

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