Político / Autor de: Eleições / Nada / Dinheiro / Eleições / Faces Privilegiado / Este também é o sentido da vida

Quase 18 meses depois do início da pandemia da Covid-19, a União Europeia (UE) conseguiu lançar um produto para auxiliar os países que a compõem (a compra massiva de dívida pública que indiretamente ajuda os Estados é decidida pelo Banco Central Europeu) e Portugal será dos primeiros a receber um montante total de cerca de 16,5 mil milhões de euros. Parece-me muito tempo e a UE tem que agilizar os seus procedimentos para que consigam responder em tempo útil às dificuldades que vão aparecendo, sejam elas de ordem económica, financeira ou de saúde. No caso português, de muito valeu as várias medidas implementadas pelo nosso Governo, rápida e eficazmente, poucas semanas depois de se perceber que o assunto era muito sério, estávamos ainda em abril de 2020. Para os que criticam regularmente os governantes (façam eles boas ou más políticas) têm que dar o braço a torcer quando se analisam os números: a uma queda histórica de 7,6% do PIB (2019 vs 2020) tivemos apenas um aumento de 0,3% no desemprego, comparando o mesmo período. As pessoas continuaram a ter rendimentos (ou porque mantiveram o emprego normalmente ou em lay off) e no fim do dia isso é o que conta para as pessoas: o dinheiro que têm no bolso.

O valor que vamos receber no já famoso Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), vai ser aplicado a projetos durante os próximos anos e será a enésima vez que o país tem a oportunidade de dar um passo em frente na capacidade de se tornar mais produtivo e convergir com a Europa no que refere à riqueza produzida por cada habitante. Para isso terá que aplicar o dinheiro recebido de forma criteriosa, transparente e eficaz, o que nem sempre tem acontecido. Há muitas formas de empregar o valor em causa de forma errada. Podemos continuar com a renovação de estradas, escolas, outros edifícios públicos sem rentabilidade, investimentos em empresas privadas em dificuldades e sem recuperação, etc. Tivemos muito disso nos últimos 40 anos. A maior parte são investimentos que criam emprego e investimento no curto prazo, mas não funcionam como multiplicador de riqueza. Um bom exemplo de investimento positivo é a reabilitação urbana. O arranque da reabilitação de alguns edifícios públicos nalguns locais, foi a alavanca necessária para os privados “continuarem” esse trabalho porque a zona em causa tornou-se apetecível com a recuperação pública inicial. Este é o conceito económico de “spill over” que significa o “transbordar” de um efeito sobre algo que é influenciado em cascata.

Não é fácil encontrar formas de gastar o dinheiro em investimentos multiplicadores e preferivelmente exportadores. Neste momento ocorre-me ajudar uma empresa privada para construir uma fábrica de semicondutores (era necessário quase todo o dinheiro do PRR português). Mas isso sou eu a pensar muito alto. Mas são investimentos deste género: atividades de alto valor acrescentado, escaláveis, exportáveis e com futuro assegurado. Para termos algumas ideias mais mundanas podemos pensar na verdadeira “tecnologização” do Estado, na sua vertente central e local. Não gosto da palavra digitalização porque parece que estamos a passar tudo o que é papel para documentos digitais e não é a mesma coisa. Transformar um documento em papel num documento digital, mantendo o procedimento e a burocracia, trata-se de manter a entropia com diferentes ferramentas. Refiro-me a uma verdadeira tecnologização. Criar novas formas de interagir com o Estado de modo que seja fácil, intuitivo e prazeroso até, interagir com as entidades públicas, quando delas precisamos. Ser tão fácil como utilizar o Facebook, o Instagram ou a Uber. Era aqui onde gastaria o dinheiro que fosse necessário. Os investidores precisam disso para aumentarem a confiança no País. No imobiliário, por exemplo, passou a ser possível entregar online os documentos para o licenciamento da construção de um edifício. No entanto isso não diminuiu o tempo de resposta das Câmaras Municipais que continuam a demorar muitos meses para despachar uma resposta. Este é um caso em que se passou do papel para o digital (digitalização), mas não houve um acrescento de valor significativo para o utilizador porque o importante para este é a velocidade da resposta (um investimento hoje pode não ser rentável daqui a 1 ano quando temos a resposta) e não a forma de entrega. Há dezenas de exemplos destes e cabe-nos descobrir outras formas de investir o dinheiro que iremos receber nos próximos anos. Cá estaremos para se fazer um balanço, esperando que o resultado seja diferente do balanço que fazemos hoje.

Leia mais artigos na página de opinião do IMEDIATO.

Subscreva a newsletter do Imediato

Assine nossa newsletter por e-mail e obtenha de forma regular a informação atualizada.


1 comment

  1. Mais um idiota que em vez de trazer novidades e evolução para a sociedade, só traz achas para a fogueira! Irra, tanto ignóbil que temos em Portugal! Vai mas é p estrangeiro!

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado.