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Não poucas vezes, ouvimos alguém dizer “Eu sou assim, digo tudo o que penso na cara das pessoas, não mando dizer nada por ninguém, sou frontal”!

Isto da frontalidade, é à primeira vista uma virtuosa qualidade que tendemos a reconhecer como digna e honrosa.

Mas quanto a mim, este atrevimento tem muito mais de arrogância do que de honestidade. A hipocrisia, é na sua essência um grave defeito de personalidade, mas considero que uma “pitada” desta desonesta característica, ajuda-nos na necessária ponderação que impede a sempre violenta tendência de ajuizarmos os outros e impor a nossa perspectiva.

Chegados à conclusão de que a posição ou atitude assumida por esse alguém com quem mantemos algum laço relacional, está irremediavelmente errada, poderemos assumir o “não mando dizer por ninguém” e encontrar a forma de transmitir aquilo que que pensamos, dispensando o palanque quase sempre usado nestas circunstâncias, fazendo um esforço por maximizar a nossa empatia. Postura esta, que facilitará a aceitação das observações que expomos e permitirá que nos seja apresentada uma justificação do comportamento por parte dessa pessoa, sem os ressentimentos típicos de quem ouve aquilo que não gosta.

Nenhum ângulo de entendimento de um assunto é o legítimo, o indiscutível, até porque “ruído”, “poeira”, “névoa”, “atrito”, “distância”, “proximidade” são elementos que condicionam a nossa percepção da “verdade”!

Ponderação, esse é o caminho!

Aliás, o controlo emocional é uma das principais capacidades que aprecio no Ser Humano, por muito que este filtro me minta deliberadamente e me crie desconfianças.

O Ser humano, em contra-ponto com os animais, obtém a partir da razão um regulador importante para afrouxar as emoções que o avassalam diariamente, enquanto que os animais desconhecem esta ferramenta e são impelidos apenas pelo seu instinto.

O Ser Humano é naturalmente estimulado por instintos e vontades, que determinam muito do que é a sua personalidade. Mas o carácter, essa virtuosa qualidade intrínseca da sua personalidade, deve a sua grandeza ao controlo emocional com que conseguimos gerir os nossos instintos e vontades.

Conseguem imaginar um mundo em que todos obedecíamos aos nossos mais primários impulsos!? A avalanche de palavras violentas, de agressões físicas, de indiferença para com o próximo, de objectificação sexual a que seriamos acometidos! Seria feio, muito feio, triste e desumano, não vos parece?

Este texto não pretende ser a defesa do hipócrita, do falso, do “um pela frente e outro por trás”, que nos é apresentado como o antónimo do “eu digo tudo o que penso”! Não, não se trata disso, este texto é sim, a apologia da racionalidade, da inteligência, de um tipo de inteligência muito em voga nos dias de hoje, a Inteligência Emocional!

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