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Há pouco tempo, o Presidente da República abriu a sua Caixa de Pandora para da mesma soltar algo que ninguém esperava, ou não vinha a propósito. Fosse para retirar o tema das gémeas da agenda mediática, ou por qualquer outra inalcançável razão, a verdade é que a questão da indemnização às antigas colónias portuguesas, rapidamente rompeu fronteiras, cruzou o Atlântico e chegou ao Brasil. Mais concretamente à Ministra da Cultura do nosso “país irmão”, que logo se encavalitou nas palavras no nosso Chefe de Estado, a exigir tais reparações.

Ora, tudo isto se transformou num absurdo mediático, que importa estancar, antes que afaste o que até hoje se contruiu, no âmbito da lusofonia.

Na verdade, o Brasil é o maior país da América Latina e o quinto maior do mundo porque Portugal lhe deu nascença, há mais de 200 anos, porque o fez previamente Reino e porque a sua independência lhe foi dada por aquele que, depois de lha outorgar, voltou a Portugal para aqui ser rei: D. Pedro I do Brasil e IV de Portugal. E que ofereceu o seu coração à cidade do Porto.

Contrariamente a Espanha, com ocupações bárbaras e que promoveu uma fragmentação dos países de hispano-falantes, o Brasil conseguiu a sua integralidade e o sentimento de pertença a uma nação, que ainda hoje se mantém, apesar da sua diversidade e dimensão. Porque a língua portuguesa, o sistema de governação (reino único em todo o seu território) e a cultura deixada pelos portugueses os uniu, antes e depois da independência.

Efetivamente, a cultura brasileira bebeu nas tradições portuguesas, seja na culinária (feijoada, cachaça, quindim), na música (viola), nas festas populares (carnaval, festas juninas), nas lendas e no imaginário (lobisomens, cuca, bicho papão). Mas sobretudo nos riquíssimos monumentos ou centros históricos das suas cidades mais antigas, que são património e orgulho nacional, e que não têm preço.

Os fluxos entre os dois países independentes sempre foram contínuos: antes, os portugueses emigravam para o Brasil, para o ajudar a crescer e a para ganharem as suas vidas, ali deixando inúmeros descendentes; agora, o movimento é em sentido contrário. Portugal é hoje o porto seguro de muitos brasileiros que precisam de uma vida melhor, o que é facilitado pela língua comum.

Por isso, no deve e haver, ninguém sabe quem ficaria a ganhar com a questão das reparações, nem isso faz sentido, nos tempos que correm.

Na verdade, Portugal não foi um país invasor (como a França no Egipto, por exemplo), mas sim um país que faz parte do ADN do Brasil, como seu pai ou avô. E como os pais e avós, certamente não fez tudo bem. Mas isso não significa que tenhamos que exigir reparações aos pais ou avós por esses erros.

A nossa História não pode ser cancelada ou julgada à luz dos tempos que correm. Muito menos é tempo de inventar o que não faz sentido e que ninguém reclama.

 

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