Vamos tentar ver se nos entendemos… Este ano, os exames do ensino secundário ainda se realizaram em papel, mas, também este ano, as respostas dos alunos estão a ser classificadas em formato digital, que, no caso do Português, deverá ou deveria estar concluído até 6 de Julho… Pelos vistos, o calendário é agora 10 de Julho, data do prazo final para classificar todas as provas…
Entretanto, a Federação Nacional dos Professores considera que o caos está instalado nos exames nacionais. A Fenprof diz continuar a receber testemunhos de professores classificadores que “revelam um cenário preocupante na organização dos exames” com professores convocados para correcção onde já não exercem funções, docentes aposentados chamados à correcção,professores indicados para disciplinas que nunca leccionaram… o que é isto? Isto tudo, significa o quê?
A tudo isto, juntam-se atrasos no envio das provas digitalizadas, respostas de testes incompletas, páginas que faltam e tantas outras anomalias que confirmam o caos actual ligado à correcção de provas que são fundamentais para os alunos que cumpriram e que desejam apoiar-se num processo claro e correcto de acesso ao ensino superior… Como é possível poder concluir-se que faltam folhas em alguns casos, que há respostas de alunos que não acabam, que há frases suspensas…
Deixem-me desabafar, deixem-me poder dizer que isto tudo é um disparate, uma irresponsabilidade que vai, de certeza, custar muito a quem sempre trabalhou seriamente, a quem tudo fez, sempre, para que nada disto acontecesse num final de ano lectivo que se desejaria sereno, capaz de atender todos os desafios…
O Ministério da Educação fez chegar ao público um comunicado dirigido aos professores convocados para o processo de correcção, um pedido para aguardar com tranquilidade e novas informações para a avaliação das respostas… Por outro lado, o comunicado do Eduqa explica que a responsabilidade é das Escolas… Não, não acho que sejam as Escolas as culpadas… O mal vem de outro lado, de quem decidiu esta reorganização, de quem garantiu que estavam reunidas as condições para este novo processo de correcção, faltando agora quem assuma a responsabilidade pelos actuais problemas na apreciação dos testes de exame. O J.N.E. decidiu agora, ajustar o seu calendário de correcção para o dia 10 de Julho, agora, prazo final para classificar todos os exames.
E, quem responde às explicações sobre uma questão de exame igual à do livro de preparação?
Naturalmente, não ajudei ninguém este ano para a prova de exame com uma questão importante igual à de um livro de preparação… Que até tenho em casa… Também neste caso, de quem é a responsabilidade?
Não será de quem fez a prova de exame? Parece-me bem que sim, afinal, o exame de Português do 12º ano, que mais de 76 mil alunos haviam feito, correu o risco de ser corrigido por professores aposentados, professores de Geografia e outros, que nada ou quase nada tiveram a ver com o ensino de Saramgo ou Cesário e que, não sei como, agora se verifica com questões que pouco têm a ver com o ensino da Literatura… Em que ficamos, afinal? De quem é a responsabilidade? Longe vai o tempo em que se faziam longas reuniões de preparação de correcção…
Agora, frente ao computador, espera-se que tudo funcione, que todas as provas sejam digitalizadas e depois, depois, espera-se que haja respostas para tudo! Mesmo que não haja folhas suficientes que justifiquem tanta trapalhada!…



