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O mês de agosto continua a ser o período preferido para gozar férias. No entanto, julho e setembro têm vindo a ganhar cada vez mais adeptos. Outra forma de usufruir de períodos de descanso, sempre que a flexibilidade profissional o permite, consiste em conjugar feriados com alguns dias de férias ao longo do ano, realizando duas ou mais “escapadinhas” de três ou quatro dias. Desta forma, evita-se chegar ao verão após onze meses de desgaste acumulado, à espera de umas férias que, mais do que um período de descanso, acabam por representar uma verdadeira fuga ao trabalho.

Trabalhar também cansa. Qualquer tarefa que exija esforço físico ou mental provoca desgaste. Quanto maior a responsabilidade inerente às funções desempenhadas, maior tende a ser o nível de distress (stress negativo). Quando a carga de trabalho impede o organismo de recuperar naturalmente, instala-se uma fadiga contínua que, inevitavelmente, acabará por ter consequências negativas.

Quantos trabalhadores viverão atualmente esta realidade?

Infelizmente, muitos trabalhadores sentem-se autênticos “escravos do século XXI”, não por sofrerem violência física, mas devido à pressão psicológica constante. A situação agrava-se quando, além disso, não se identificam com as funções que desempenham nem com a cultura ou o clima organizacional da empresa.

Para estas pessoas, as férias deixam de cumprir a sua verdadeira função. Em vez de serem um período de recuperação física e emocional, transformam-se numa fuga que parece nunca mais chegar. E, quando já não conseguem suportar os onze meses de trabalho, surgem frequentemente as baixas médicas, que acabam por representar exatamente isso: uma forma de escapar a uma situação insustentável.

Não é por acaso que a Ordem dos Psicólogos Portugueses refere que os problemas de saúde psicológica representam um custo anual de cerca de 5,3 mil milhões de euros para as empresas portuguesas. Esta é, infelizmente, a realidade de uma parte significativa dos trabalhadores portugueses: cansaço físico e mental, baixos rendimentos e dificuldades em assegurar uma vida digna perante o atual custo de vida. Basta olhar para o aumento dos preços da habitação e do arrendamento para compreender porque tantos jovens qualificados — cerca de um em cada quatro licenciados — optam por emigrar em busca de melhores condições e maior valorização profissional.

As férias devem proporcionar descanso das tarefas profissionais e libertação das responsabilidades assumidas ao longo do ano. Descansar implica, efetivamente, estar “desligado” do trabalho: sem telefonemas, sem e-mails e sem preocupações profissionais. O verdadeiro descanso depende, acima de tudo, do estado mental com que se vivem as férias. É aí que reside a paz interior. Pouco importa o destino escolhido se a mente continua ocupada com os problemas do trabalho. Se, durante as férias, já está a pensar que regressará para encontrar todas as tarefas acumuladas e enfrentar um mês de setembro ainda mais exigente do que os anteriores, dificilmente conseguirá recuperar plenamente.

O Coaching, enquanto ferramenta de desenvolvimento pessoal e profissional, constitui um excelente instrumento para promover a reflexão através de questões como as seguintes:

No seu trabalho sente-se valorizado(a), reconhecido(a) e desempenha funções compatíveis com as suas competências, que lhe proporcionam realização profissional? Em suma, sente-se feliz no seu trabalho?

Pelo contrário, sente-se ignorado(a), injustiçado(a), permanentemente pressionado(a) pelos resultados, sem os recursos necessários e inserido(a) num clima organizacional negativo? Em suma, sente-se infeliz no seu trabalho?

A qualidade das suas férias dependerá, em grande medida, da resposta que der a estas questões.

Se respondeu afirmativamente à primeira, será muito mais fácil desfrutar verdadeiramente das férias, aproveitando o tempo com a família, os amigos ou conhecendo novos lugares e culturas. Poderá, inclusivamente, por gosto pessoal, dedicar algum tempo à leitura ou à aprendizagem de novos conhecimentos relacionados com a sua profissão, contribuindo para o seu desenvolvimento.

Se, pelo contrário, respondeu afirmativamente à segunda questão, as férias tenderão a ser vividas como uma fuga ao trabalho, quase como se este se tivesse transformado numa fobia. A simples ideia de que cada dia o aproxima do regresso gera um elevado custo emocional. Embora possam existir momentos pontuais de alegria e distração, estes acabam por estar envolvidos por um estado emocional predominantemente negativo, impedindo-o de desfrutar plenamente da vida.

É precisamente aqui que o Coaching pode fazer a diferença.

Na primeira situação, o Coaching permite potenciar os pontos fortes do coachee, consolidar competências e identificar novos desafios e oportunidades de crescimento. Paralelamente, uma intervenção ao nível da organização poderá contribuir para otimizar o bem-estar, a motivação e a felicidade organizacional.

Na segunda situação, o Coaching promove uma reflexão profunda sobre o projeto de vida do coachee. Poderá ajudá-lo a ponderar uma mudança de emprego, identificar organizações mais alinhadas com os seus valores, desenvolver novas competências para outras áreas de interesse e, em primeiro lugar, trabalhar as atitudes e os comportamentos mais adequados para enfrentar a realidade organizacional em que se encontra.

Também ao nível das organizações existe muito trabalho a desenvolver, começando pela gestão de topo e pelas lideranças, que têm a responsabilidade de promover ambientes de trabalho saudáveis, positivos e psicologicamente seguros.

Através da Prática do Coaching, é possível intervir tanto ao nível individual como organizacional, potenciando boas práticas, promovendo o desenvolvimento humano e minimizando as disfuncionalidades que comprometem o bem-estar e o desempenho.

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