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Estamos no Big Brother Covid. Pois parece que sim. O pior dos pesadelos existe e quase que a céu aberto. Não é bem a céu aberto, mas pelo menos não tem grades e arame farpado. A visão é tão longínqua quanto a localização da casa e a vista que de lá se possa alcançar. É, parece um pesadelo transformado em filme e sentimos a saturação a abater-se sobre nós como paredes que se vão fechando. Para qualquer lado que se olhe, qualquer assunto que se apanha ao caminhar por algum lado é sobre o mesmo tema.

Sufoca. Pesa. Satura. Pressiona. E é geral. Se ainda pudéssemos encontrar uma alma em melhor estado, em diferente situação… Alguém nos acuda, mas os médicos, esses, estão sobrelotados ou parece quase estoicismo tentar ter uma consulta presencial para desabafar o inferno, que, possa ele não ser assim tão luciferiano, com o tempo, aí com o tempo, com o tempo elas não matam, mas moem. Podemos tentar outras soluções, mas essas soluções parecem escapar entre os dedos como areia a cada confinamento.

Estamos a ficar exaustos. Exaustos também de estar preocupados e sobressaltados.

É, parece um pesadelo. Um teste mundial de várias naturezas que está a pôr à prova nações, indivíduos, políticas, sistemas económicos, sociedades e que só é global porque essa é a natureza da Natureza e da História da Humanidade: a interligação. Estamos a perceber cada vez mais isso e como a Natureza é veloz a fazer os seus desmandos. Mimetiza a internet, mas será mais (e sempre) a Humanidade a mimetizar a Natureza.

Assim, para sobreviver a estes tempos há que saber navegar com eles. Digamos que, se não os podemos vencer, juntemo-nos a eles. E com isto digo, se os tempos pedem cautela, assim as tenhamos. Saibamos que estes episódios são cíclicos na História e que tendem a trazer grande evolução tecnológica e social, que, quer se queira quer não, é real e inevitável. Por outro lado, os cientistas são unânimes em declarar que caminhamos para uma extinção em massa de causa ambiental e, se olharmos numa ótica otimista, o coronavírus contribuiu para diminuir fortemente as demandas energéticas do planeta, quase como umas férias para a Terra. Reaprendamos, então, neste tempo.

Mas, essencial para a sobrevivência e sanidade mental é essa capacidade unicamente humana de se projetar no futuro. Foi assim que Viktor Frankl, psicólogo austríaco sobreviveu ao Holocausto para depois fundar o seu modelo de trabalho, modelo esse projetado no campo de concentração para entreter a mente e ter razão de viver.

Por isso sonhem, sonhem muito e bem e não se espantem de uma médica vos dizer isso, afinal, já dizia o poeta, sonhar é viver.

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