Temas: Mundo / Vida/Medo /História /Bom Senso /Imaginação / Covid

Aqui vos confesso que tive bastantes dificuldades em escolher o tema para esta edição. Pensei em vestir a bata branca e o estetoscópio e pôr-vos em contacto com a médica de família que há em mim e falar sobre uma doença em crescimento exponencial, que é a cirrose hepática devida à acumulação de gordura no fígado – a esteatose hepática. Coladinho a essa gordura, vem grudada a boa gordura geral – a obesidade. Daí, o meu cérebro foi até à necessidade urgente de mudarmos os nossos hábitos alimentares pela saúde individual e do planeta. Depois, qual lápis azul da ditadura do politicamente correto, ocorreu-me que para falar de obesidade nesta altura, teria que escrever só sobre a distinção entre a normalização dos diferentes biótipos, que é em si uma necessidade e a obesidade como doença. Por fim, a minha mente lá se deteve na dramática imagem que a Terra está obesa de seres humanos, o que fechou o circuito até termos o título do artigo deste mês.

Pelas linhas acima, se devidamente contempladas e processadas, temos uma cadeia de ligação tão ubíqua e abrangente que pode ser assustador deixá-la a pairar muito tempo na nossa atenção!

Acreditem. Eu também não queria estar a escrever sobre isto. Também estou cansada de temas pesados. Mas só temos mesmo qualquer coisa como dez anos, essa janela dourada de oportunidade, para mudar o Mundo. E agora que chegou a hora de viver o sonho mais famigerado da adolescência, esse que é mudar o Mundo, vamos fazer o quê? Deixar um sonho por realizar?

Sim, estamos no início desse caminho. Sim, é uma escolha individual e sim, como explicou o primeiro parágrafo, vai desde a unha do pé até ao couro cabeludo da Humanidade. Será uma mudança profunda porque terá que o ser.

Como o corpo de um obeso que está inflamado, saturado de gordura, fruto de alimentos altamente processados e de pouca qualidade, também a Terra o está, fruto de solos e criações sobrecarregados e intoxicados, devastados pelas necessidades uma única espécie… Nestes termos, a metáfora parece óbvia e nós somos os maus da fita.

E somos maus para nós desde a unha dos pés, até ao couro cabeludo, passando pelo nosso fígado e só temos dez anos para aprender a amarmo-nos novamente.

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