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Esta guerra da Ucrânia, é assumida pelo mundo Ocidental, dito democrático, como sua, portanto, não a ignora como a tantos outros conflitos, quiçá mais sangrentos e desumanos. Rapidamente se escalou para uma visão maniqueísta do conflito, onde as visões realistas sobre o que está em causa, facilmente, para além de censuradas, são alvo de tratamento ostracizante.

Cria-se todo um enredo onde o apelo à paz surge mais como um eufemismo para a vitória de uma certa visão do que à sua consagração propriamente dita. Na verdade, apesar de todas as consequências, que todos acabam por sofrer, o anseio é pela vitória. A paz parece só tornar-se possível desde que todos ganhem. Ora, como está bom de ver, isto é uma contradição nos seus termos, pois para alguém ganhar a sua contraparte terá de perder. No entanto, é para isto que serve a política, para transformar factos em ilusões que permitam a manutenção da estrutura de que fazem parte. Em política tudo o que parece, é.

De todo o modo, como se subentende do que disse acima, esta não é uma guerra onde a paz seja alcançável a partir da vitória clara de qualquer um dos lados. A paz como consequência da fundação de uma nova ordem a partir da cerimónia de consagração da vitória, figura clássica da guerra, neste caso, não se afigura como previsível.

O caminho deste conflito parece ser o de levar a uma nova ordem geral, mantendo a ordem regional, isto é, a uma nova estrutura mundial com vários blocos que manterão a sua estrutura interna. Haverá uma perceção geral de paz, mas não uma paz por paz, e sim a instalação de um dispositivo agonístico destinado a manter uma espécie de equilíbrio através de uma disputa competição e rivalidade constantes, não associadas a ações de extermínio. Será talvez um retorno, se faz sentido falar de retorno em história, à ideia da existência de potências com capacidade de viver de combate e nessa medida ter interesse na sobrevivência do inimigo. O período em que só uma potência tinha esta capacidade terminou, por muito que tente passar a ideia contrária e insista na demonização do outro que não é ele. Uma demonização, por muitos, absorvida num tomar de lado irrefletido, induzido pela propaganda.

Quando se toma um lado, já não se quer a paz, apenas a vitória. A paz só se torna admissível perante a possibilidade da derrota, o interesse na compaixão do que parece que vai vencer. A guerra é abominável, a paz desejável, por isso a preocupação não deveria ser moral, mas sim ética: a constituição de um sistema que possibilite limitar ao máximo o recurso a este instrumento político que é a guerra. Fácil é queremos que tudo se passe como num filme de Hollywood, em que normalmente aparece o bom, sob qualquer forma, para salvar os que estão em desespero, mas a realidade, como todos sabemos é bem mais complexa, pelo que a emoção, se bem que necessária, deverá dar lugar à racionalidade, pelo menos de alguns – os políticos. É difícil, porque é necessária grande coragem para fazer face ao apelo emotivo ribombante, cuja entoação vai ampliando na justa medida em que se afunila a informação, precisamente pela resposta à emoção.

Concentremo-nos na Paz, a vitória… Bem, essa será de todos !

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