Sérgio Ferraz

A região do Vale do Sousa foi, no início da pandemia, a mais fustigada por este vírus desconhecido. Foi nela que se registaram os primeiros casos do país e é dela também o primeiro doente ventilado em Portugal, Sérgio Ferraz.

Mais de um ano após o início da pandemia e num momento em que o país respira um pouco mais aliviado, trazemos-lhe histórias de vida daqueles que viveram de perto a pandemia e daqueles que foram diretamente afetados por ela.

Sérgio Ferraz: “Posso dizer que sou um felizardo”

“A poucos dias de celebrar um ano em que fui internado na unidade de infecciologia do hospital de S. João, no Porto, e confirmada a infeção por SARS-CoV-2, é inevitável fazer-se uma retrospetiva sobre a forma como evoluiu a minha recuperação, após a alta hospitalar, e as possíveis sequelas/limitações que a doença possa ter deixado na minha saúde e, consequentemente, na minha vida.

Neste sentido, e considerando as muitas histórias que são publicitadas na comunicação social, posso dizer que sou um felizardo e que tudo está a correr muito bem.

No mês de abril de 2020, após a alta hospitalar e o cumprimento do período de isolamento profilático, iniciei a recuperação da minha condição física tendo obtido, num curto espaço de tempo, a normalização do meu dia-a-dia.

No mês de junho realizei exames médicos que deram excelentes resultados quer a nível pulmonar, quer ao nível de outros órgãos vitais que, na fase crítica do coma, estiveram em pré-falência.

No final do mês de junho terminei a baixa médica. Em setembro voltei à escola para iniciar novo ano letivo sem qualquer limitação. Ao longo deste período fui tendo consultas de acompanhamento no hospital de S. João, assim como alguns contactos para responder a questionários que visavam avaliar/monitorizar o meu processo de recuperação, os quais deram sempre bons resultados.

Mais recentemente realizei novos exames e repeti o teste de imunidade. Felizmente, embora com análises preliminares, está tudo bem. Satisfaz-me, particularmente, o facto de passado um ano ainda ter imunidade ao vírus, situação que, segundo informações clínicas, não era expectável ao fim de 12 meses.

Quando me perguntam o que mudou na minha vida, a resposta fica entre o tudo e o nada. Tudo, porque ninguém fica indiferente a uma experiência como esta. Somos obrigados a olhar para trás e repensar qual é a nossa missão e como estamos a viver/aproveitar a vida. Nada, porque felizmente não fiquei com quaisquer sequelas que me obrigassem a alterar hábitos de vida ou, até, como infelizmente aconteceu com outras pessoas, alterar radicalmente a vida.

Com este meu testemunho renovo o reconhecimento a todos os profissionais de saúde que continuam esta luta para diariamente salvarem vidas e à comunidade científica por ter obtido, em tempo record, o tónico (vacina) de esperança para que o mais rápido possível possamos a voltar à normalidade, mesmo que condicionada.

Que sirva também de alento para aqueles que lutam com a doença ou se encontram em recuperação.

Juntos, vamos vencer”.

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