Paulo Rangel em visita a Paços de Ferreira
Eurodeputado considerou que a Citânia é "um tesouro histórico". Fotografia: Ricardo Rodrigues

O eurodeputado Paulo Rangel acusou esta sexta-feira a Câmara Municipal de Paços de Ferreira de “negligência” relativamente à Citânia de Sanfins, considerando que o monumento nacional “está praticamente ao abandono e sujeito ao vandalismo e roubo”.

O eurodeputado esteve no concelho de Paços de Ferreira esta sexta-feira de manhã, visitando as novas instalações da sede concelhia do Partido Social Democrata (PSD), junto à rotunda do Radar, bem como a Citânia de Sanfins, considerada um dos espaços mais emblemáticos do concelho.

Foi no segundo espaço que Paulo Rangel falou aos jornalistas, acusando a autarquia pacense de negligência quanto à gestão da Citânia de Sanfins e de cometer “um crime contra a história” do concelho.

“É verdadeiramente um crime contra a história de Paços de Ferreira e a história portuguesa o estado a que as autoridades locais deixaram este monumento. Em qualquer país da Europa o espaço estaria muito mais bem cuidado, mas aqui está praticamente ao abandono e sujeito ao vandalismo e roubo”, apontou o eurodeputado social-democrata.

Paulo Rangel considera que o concelho “não tem visibilidade turística e identitária”

Para Paulo Rangel, espaços como a Citânia de Sanfins são “tesouros históricos, arqueológicos e patrimoniais a nível nacional e até mesmo internacional”, que poderiam auxiliar a divulgar a imagem do concelho e atrair visitantes.

“Paços de Ferreira não tem nenhuma visibilidade turística nem identitária. É Capital do Móvel, e isso é excecional, mas também tem uma identidade histórica fundamental. Não podemos ver apenas o lado económico e industrial”, defendeu.

Desta forma, deixou a sugestão de “preservar e evitar a degradação” das estruturas já descobertas, mas também criar uma dinâmica turística em volta do monumento, não apenas de lazer, mas também de formação.

“Recordo-me de vir aqui com sete ou oito anos fazer uma visita de estudo. Uma citânia como Sanfins merece um programa como Conímbriga, com visitas sistemáticas para falar sobre a cultura castreja e sobre os celta-iberos. Criar essas raízes nas crianças é fundamental”, apontou.

Aos olhos de Paulo Rangel, é também “essencial” reativar o programa de escavações na zona, parado há vários anos. “Nós sabemos que há aqui tesouros, por ventura ainda mais interessantes que os que estão aqui ao descoberto, até de várias fases, como da ocupação romana”, sugeriu.

O eurodeputado considerou ainda que a criação de trilhos seriam uma boa maneira de dinamizar a atividade física e de aproveitar “a paisagem fabulosa” de que o monumento usufrui. “Fala-se em estudar uma candidatura da Citânia de Sanfins a Património Mundial da UNESCO, candidatura essa que pode ser altamente justificada”, considerou.

“Há imensas autarquias no país que davam tudo para terem um décimo disto. Isto é um claro exemplo daquilo que é má administração local, administração negligente. Como é que é possível uma autarquia ter um tesouro desta natureza e estar completamente esquecido? Eu vou dizer, nos anos 70 havia mais consciência de que Sanfins existia do que hoje. É uma vergonha local e nacional”, rematou.

O IMEDIATO contactou a autarquia de Paços de Ferreira para obter uma posição relativamente às declarações do eurodeputado Paulo Rangel, mas não obteve uma resposta à data de publicação da notícia.

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