MeninoMarceneiro
«O Menino Marceneiro» percorre marcos decisivos da história portuguesa do século XX

A obra acompanha a trajetória de Francisco Barbosa, desde a infância marcada pela pobreza e repressão nos anos 50 até ao pós-25 de Abril, prestando homenagem à resiliência do trabalho artesanal e ao valor da educação.

O escritor e professor Miguel Correia apresentou a sua mais recente obra de ficção, intitulada «O Menino Marceneiro». A narrativa acompanha a história de vida de Francisco Barbosa, um protagonista fictício cuja infância e juventude foram inspiradas em episódios reais contados pelo pai do autor, vividos em Lordelo, no concelho de Paredes.

O romance percorre marcos decisivos da história portuguesa do século XX — a ditadura do Estado Novo, a Guerra Colonial e a Revolução de 25 de Abril de 1974. A trama inicia-se nos anos 50, na comunidade de Ribeira do Moinho, onde Francisco cresce sob o impacto da perda do irmão Egas e do apoio do avô Miguel, ao mesmo tempo que testemunha os sacrifícios da mãe, que trabalha como carreteira para sustentar a família.

Apesar de demonstrar apetência pelos estudos e de ser aprovado nos exames escolares, a violência do professor Caetano e a escassez de recursos financeiros impedem Francisco de dar continuidade à sua formação académica. É na oficina de marcenaria que encontra o seu caminho profissional e aprende a resistir às adversidades da época. Mais tarde, confrontado com o serviço militar obrigatório e a Revolução dos Cravos, recusa-se a disparar, afirmando a sua posição ética. Na vida adulta, ao lado de Leonor, consegue proporcionar ao filho, João, a oportunidade de realizar o sonho que lhe fora vedado: tornar-se professor.

A obra é uma narrativa de ficção e Francisco Barbosa é uma personagem criada pelo autor. Contudo, episódios marcantes da infância e juventude foram inspirados no testemunho real do pai de Miguel Correia, constituindo uma homenagem à sua resiliência e ao seu ofício.

Sobre o Autor

Miguel Correia é natural de Lordelo (Paredes). Antes de se dedicar ao ensino e à investigação — lecionando atualmente Filosofia na Escola Secundária de Odemira e tendo um percurso no ensino especial —, trabalhou como marceneiro, operador de supermercado, assistente administrativo e empresário do setor do mobiliário. É autor da obra académica «Autismo e Atraso de Desenvolvimento» (2014) e das obras de ficção «A Rapariga e o Pastor do Crato» (2025) e «O Chocalho e as Plumas».

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