AG 31agosto
Assembleia Extraordinária dos associados pacenses analisou processo de transformação do Clube em SAD

A Assembleia Geral Extraordinária do Futebol Clube de Paços de Ferreira, realizada esta segunda-feira a pedido de 22 associados, revelou novos dados sobre a transição do clube para Sociedade Anónima Desportiva (SAD), aprovada em abril passado. A reunião serviu para prestar esclarecimentos formais sobre a execução do negócio com a PlayMakers (PMK), uma operação atualmente marcada por atrasos burocráticos, alterações contratuais na estrutura acionista e riscos financeiros significativos para a instituição.

Contrariamente ao previsto, a transformação da Sociedade Desportiva (SDUQ) em SAD continua por concretizar e sem escritura realizada. A data inicial para a formalização, agendada para 17 de julho, foi suspensa devido a uma providência cautelar intentada por um grupo de sócios. Perante o impasse, a Direção celebrou um aditamento ao contrato para prolongar o prazo, assumindo não ter atualmente condições para indicar uma nova data. Em simultâneo, o clube abandonou a intenção de converter em capital social os cerca de 2,97 milhões de euros que tem a receber da SDUQ, uma opção justificada com critérios fiscais após a recente descida de divisão.

A despromoção desportiva acabou também por provocar uma mudança profunda no controlo da futura sociedade. A PMK acionou uma cláusula de opção que lhe permitiu adquirir 15,1% adicionais por apenas 1 €, invertendo a distribuição aprovada em abril: o investidor passa a deter a maioria com 65% do capital social, enquanto a quota do Clube é reduzida para 35%. O contrato contempla ainda uma opção de compra de mais 15% até 2029 por 1,5 milhões de euros, o que poderá deixar o Paços de Ferreira com uma participação minoritária de 20%. Esta nova relação de forças refletir-se-á na administração da SAD, onde a PMK indicará três administradores executivos — incluindo o Presidente —, cabendo ao Clube apenas dois cargos não-executivos.

No plano financeiro global, a Direção revelou que a PMK já injetou 1,25 milhões de euros no clube. Como a SAD ainda não foi constituída, estes valores deram entrada a título de empréstimo. Caso a concretização do negócio inviabilize por responsabilidade imputável ao Clube, existe o risco contratual de devolução desse montante em dobro, o que representa uma penalização de 2,6 milhões de euros.

Esta contingência agrava substancialmente as contas do universo pacense. O passivo global da SDUQ situa-se atualmente entre os 5,5 e os 5,6 milhões de euros (aos quais acrescem cerca de 250 mil euros relativos à formação do Clube). Contudo, no cenário de rutura do negócio por culpa do Clube, a soma do passivo existente com a obrigação de devolução dos adiantamentos fará disparar a exposição financeira total para um patamar próximo dos 8 milhões de euros.

A juntar à pressão financeira, a SDUQ enfrenta um pedido de insolvência apresentado por um fornecedor devido a uma dívida de 27.250 euros, enquanto a tentativa de mediação promovida pelo Presidente da Câmara Municipal para resolver a providência cautelar terminou sem acordo. Apesar do impasse jurídico, a PMK já se encontra a intervir diretamente no futebol profissional do clube, assumindo a escolha do plantel e treinadores.

A sessão terminou com várias intervenções a solicitar a demissão da atual direção liderada por Rui Abreu. Alguns associados disponiblizaram-se mesmo para assumir o cargo, ficando de apresentar à Mesa da Assembleia Geral um pedido formal para a realização de uma nova reunião magna com o intuito destitutivo dos atuais dirigentes.

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