Respeito / Zela / Lei / Leste / Sol / Ano / Alberto Santos -Rebanho / Desligamento / Futuro, Máscara / Avós / Língua / Analfabeto / Oportunidades /ladrão de memorias / pandemia

No rescaldo das autárquicas, ouvi o Presidente da Câmara de Sernancelhe dizer que trocaria o seu orçamento municipal de dez milhões de euros por mil habitantes.

A questão, aparentemente espirituosa, levada a sério, até poderia frutificar, pois talvez se encontrassem umas boas centenas de pessoas que aceitassem mudar-se para Sernancelhe com um prémio de dez mil euros no bolso.

Porém, se a moda pegasse, com a acentuada tendência de queda da população que atravessa a maior parte dos municípios, o problema nacional não se resolveria. Se a população migrasse de um município para outro, por via dos ditos benefícios, o saldo nacional continuaria nulo e o problema por resolver.

Com efeito, aprofundando mais o problema, vemos que a declaração do edil beirão toca no cerne de uma das maiores problemas que o nosso Estado atravessa, de momento: a demografia.

Aquelas palavras soam a um perigosa profecia, trazendo notícias do futuro. Um futuro em que gente, pessoas, serão um ativo cada vez mais forte do território, adivinhando-se que daqui a uns anos, poderão mesmo as palavras passar à prática, e os autarcas passarem a pagar para fixar habitantes nas suas terras.

Mas as notícias do futuro que tais declarações prenunciam são ainda mais preocupantes, quando fica a nu que, a continuarmos assim por largo e contínuo período de tempo, Portugal corre o risco de terminar a sua História, enquanto realidade social e sociológica.

Alguns demógrafos anunciam já que, em 2100, pelas conhecidas questões de (in)fertilidade, a população portuguesa poderá reduzir-se para 50% (5 milhões de habitantes), ou seja, apenas daqui a 80 anos.

Por isso, a questão da demografia deve encarada como uma questão de regime, de longo prazo, que não se coaduna com políticas circunscritas a ciclos de quatro anos.

Importa, assim, que os partidos coloquem definitivamente esta questão na agenda, com políticas que permitam desincentivar a emigração e viabilizem o regresso dos nossos emigrantes, que criem condições para que os casais tenham mais filhos e que atraiam estrangeiros em quantidade e em qualidade, mormente jovens mais capacitados e qualificados.

Enquanto é tempo!

Leia mais artigos na página de opinião do IMEDIATO.

Subscreva a newsletter do Imediato

Assine nossa newsletter por e-mail e obtenha de forma regular a informação atualizada.


Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado.