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Às vezes apetece-me falar, escrever, dizer o que penso mas logo concluo que adianta pouco dizer o que se pensa porque o que se pensa tem de ser, tantas vezes, apagado!

Fizeram-se as listas de deputados, como quiseram, como entenderam ser melhor e, nesse caminho, apetece perguntar: A próxima Assembleia da República vai ser mais culta, mais competente, mais devotada ao interesse público? Claro que não… Olham-se essas listas e fica fácil concluir que a qualidade do pessoal político vai continuar a degradar-se e, entre as várias razões que o explicam, depreende-se que as escolhas de deputados se tornaram um lamentável ajuste de contas… Isso mesmo! Falo, escrevo assim porque há situações que é preciso analisar.

Quando, por exemplo, há um político com a craveira de Francisco Assis, que fica sem lugar nas listas do PS, cheias de ministros e ministras sem outro mérito político se não o de existirem ou o de terem estado lá, pode depreender-se que o critério das escolhas deixou de ser o interesse do país para se tornar uma espécie de exibição de poder de um líder e da “tralha” que anda à sua volta… Foi quase sempre assim, agora está bem pior…

Bem sei ou também dou conta, o ajuste de contas entrou na quase irracionalidade e isto não é bem a democracia…

Pela idade, pela experiência, sempre soube que as escolhas de deputados sempre estiveram entre o prémio à lealdade e a punição do próprio pensamento. Há muito pouco respeito pela diferença! Eu própria, há muitos anos, fui colocada numa lista de candidatos a deputados pelo distrito do Porto e recusei… Por qual a razão o terei feito? Alguém se lembra disso?

Habituámo-nos a ver nos grandes Partidos um acolhimento exagerado pelas “aves” que aparecem inesperadamente ou pelos que se mostram e seguem respeitosamente um líder. Nunca gostei, nunca apreciei essa táctica e por isso, hoje, sinto-me mais decepcionada e quase sem saber como irei votar…

Nem António Costa nem Rui Rio me parecem empenhados em chamar os melhores para o seu serviço. Sem essas pessoas como Assis ou Cecília Meireles, entre outros, o Parlamento ficará mais pobre e isso é um sinal muito preocupante para a democracia. Estamos mal, ficaremos pior ainda!

Acabei de ler alguns textos pertinentes sobre o filósofo Platão e encontrei aí algumas respostas para as grandes questões do homem, hoje. Não posso deixar de transcrever uma frase que sempre me pareceu soberana: “O saber ao poder!”

Foi e terá de ser sempre assim: só o conhecimento legitima o exercício do poder e só quem se dedica a ele merece governar…

É sempre assim ou deveria ser assim. Mas não é. Não são os melhores que ganham. Cada vez mais, a democracia mostra que o poder se coloca nas mãos de uma  maioria incompetente. Não fazer, não saber fazer, não pedir ajuda, não colaborar, não impedem de chegar ao cúmulo da ambição e são etapas que só os mais atrevidos conseguem. Porque vale quase tudo, também se tornou fácil, mesmo em democracia, que se façam ajustes de contas!

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