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Não sou o típico adulto rezingão que considera que “no meu tempo é que era” e que esta nova geração está condenada. Muito comummente escutamos as gerações mais maduras reclamaram das gerações mais novas de falta de compromisso, de indisciplina e de atitudes ociosas.

Destas observações normalmente discorre um elencar de coisas más pelas quais os mais velhos tiveram de passar e que fariam falta nos dias de hoje. Os tais rezingões, graças a um profundo conhecimento destas questões sociológicas, sustentado em estudos que normalmente começam por um “cá pra mim”, determinam que tudo pelo qual passaram os mais velhos, seria necessário que os mais novos passassem também para alicerçar esta geração inapta na sua capacidade de resiliência.

Eu acredito muito nas novas gerações. São fruto de outros tempos e inevitavelmente são pessoas diferentes. São também capazes de superar desafios, desafios também eles muito diferentes. É no mínimo perverso desejar que os mais novos padecessem das mesmas dificuldades e da falta daquilo que hoje damos por adquirido.

Ainda bem que os tempos são outros. Foi para isso que os nossos pais e avós lutaram, para nos garantir um futuro melhor. Felizmente hoje vivemos com mais conforto, com mais alimento, com mais roupa e roupa mais adequada, com mais calçado e calçado mais adequado, com melhores casas, com meios de transporte mais rápidos e confortáveis, com mais acesso à educação, com mais conhecimento e com muito mais tecnologia.

Mas esta mudança foi tão abrupta que ninguém estava preparada para ela. Vítimas desta voragem que nos engoliu cometemos erros. Sim, todos somos culpados, os nossos pais, nós (os adultos de hoje) e os nossos filhos.

Façamos o seguinte exercício; passaram 48 anos desde o ano da Revolução de 25 de Abril, o extraordinário evento que nos permitiu viver até aos dias de hoje em democracia. A liberdade conquistada permitiu uma significativa melhoria da qualidade de vida dos portugueses. Para perceber a vertigem das mudanças operadas no decurso do seculo XX e no primeiro terço do seculo XXI, recuemos os mesmos 48 anos tendo como referente o ano de 1974, recuemos até 1926 e damo-nos conta que nesse ano acontecia:

– Na Alemanha é fundada a Juventude Hitleriana por Adolf Hitler;

– O escocês John Logie apresenta pela primeira vez uma máquina que emite umas imagens muito toscas, que daria origem à televisão;

– O cientista americano Robert Goddard lança o primeiro foguete movido a combustível, que terá percorrido a fabulosa distância de 45 metros;

– A Western Electric e a Warner Brothers lançam um invento chamado vitaphone que permitiria juntar som aos filmes de projeção;

São absurdas as mudanças que se verificaram nas últimas 3 a 4 gerações. Isto resultou na avidez com que os nossos avós quiseram garantir uma vida melhor para os vindouros. Nós os adultos de hoje, precipitamo-nos em ambição embrenhados nesta avalanche de capitalismo e atropelamos os nossos filhos com modernidade. E eles!? Eles obviamente que se deslumbraram e tornaram-se insaciáveis.

Somos todos culpados, todos sem excepção!

Diz-se que o QI da próxima geração será o primeiro a descer em relação ao da geração anterior. No mínimo é preocupante e surpreendente!

Esta é uma geração que quer viver tudo e viver tudo muito rápido; é a geração dos vídeos pequenos, das poucas palavras escritas, dos emojis, das abreviaturas, das fotos instantâneas. Não têm tempo nem capacidade de concentração para longos filmes, para longos livros, para puzzles de 1000 peças, para construir traquitanas.

Os nossos pais tiveram a certeza que os seus filhos viveriam melhor do que eles viveram. Pelo que assistimos neste primeiro terço do seculo XXI temos fortes indícios que os nossos filhos viverão pior.

 

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