25 de Abril
Fotografia: Direitos Reservados

O Dia da Liberdade foi celebrado na região de forma digital, tendo em conta a pandemia. Tanto em Penafiel como em Paços de Ferreira, os municípios transmitiram em formato vídeo os habitais discursos dos autarcas e representantes nas Assembleias Municipais.

Nos canais do município de Penafiel, Antonino de Sousa, Presidente da Câmara Municipal de Penafiel, deixou a sua mensagem alusiva ao 25 de Abril. Tiveram ainda intervenção Alberto Santos, presidente da Assembleia Municipal de Penafiel, assim como os representantes do PSD, PS, CDS-PP, Penafiel é Top e CDU-PCP.

Antonino de Sousa, o edil penafidelense, lembrou “os tempos diferentes” que o país e o mundo vivem há mais de um ano, com consequências dramáticas, ao nível da saúde e da economia, com o encerramento de empresas e aumento do desemprego. Deu ainda nota de que a pandemia infetou mais de 7300 pessoas, “tendo sido fatal para 100 penafidelenses” e referiu que a propagação o concelho está abaixo dos 120 casos por 100 mil habitantes. “Mas temos que manter todos os cuidados para que esse número não aumente”, frisou o autarca.

Em termos de vacinação, Penafiel tem, segundo o autarca, cerca de 10 mil pessoas vacinadas. “Todavia, o caminho para a imunidade de grupo é ainda longo”, referiu, recordando a necessidade de se manter as regras e deixando um apelo. “Que sigamos o caminho da prudência e responsabilidade que temos trilhado e bem até aqui”, o único caminho que vai garantir do regresso à normalidade.

Antonino de Sousa garantiu ainda que a Câmara tem feito tudo o que está ao seu alcance para apoiar os cidadãos que estão a passar por dificuldades devido à pandemia, “mas ao longo deste ano, não estivemos apenas focados nas questões relacionadas com a pandemia”, garantiu, lembrando que “cumpriram abril”, em outras questões, como ambientais, desportivas, assim como no âmbito da Educação, Mobilidade e Cultura (com a construção do Ponto C). “Foi assim que ao longo do último ano estivemos a cumprir os valores de abril. A solidariedade, a coesão social e a promoção do desenvolvimento do nosso território”, frisou, certo de que se avizinham tempos difíceis.

Alberto Santos, presidente a Assembleia Municipal de Penafiel, recordou Francisco Sá Carneiro e os seus valores, que deram origem à chamada terceira República e que transformaram Portugal naquilo que hoje é, um país “se problemas de identidade, integrado na União Europeia, “com amplas responsabilidades civis”, mas ainda com “imperfeições e muito caminho a trilhar”, na Justiça, Educação e Saúde.

E reafirmou a usa crença na luta pela liberdade de abril, pela igualdade de oportunidades, pela melhoria da qualidade de vida dos portugueses, criticando aqueles que procuram “romper os valores da nossa democracia com radicalismos”. “Não precisamos de uma quarta República com alguns apregoam. Precisamos sim de curar as feridas da nossa democracia, aprender com os erros e mobilizar as novas gerações para este ciclo”.

Reconhecendo a democracia “como o único regime que tem legitimidade”, apesar das suas imperfeiçoes, Alberto Santos defendeu que é por este sonho que “devemos continuar a lutar”, por um futuro melhor, para deixar às novas gerações.

“Nos últimos 20 anos, com duas grandes crises, o Governo do concelho de Penafiel tem estado à altura dos desafios que foram surgindo” – António Cunha, do Partido Social Democrata

António Cunha, do PSD, começou por afirmar que falar de 25 de abril, “é celebrar os valores da liberdade e democracia” e evitar que o seu legado caia no esquecimento, “uma democracia moderna e pluralista, o estado de direito, a economia de mercado, a Constituição da República Portuguesa, a nossa matriz Europeísta, a nossa mundivisão. Referiu ainda que é recordar aqueles que participaram na revolução e as conquistas que daí advieram para todos os portugueses na Saúde, na Educação, na Ciência e no Poder Local.

Salientando o seu orgulho em ser português e penafidelense, teceu elogios à liderança de Antonino de Sousa, que num ano difícil de antecipou ao Governo no combate da pandemia, que procurou respostas para o impacto da pandemia, que não esqueceu as coletividades, os alunos, entre outros.

“Nos últimos 20 anos, com duas grandes crises, o Governo do concelho de Penafiel tem estado à altura dos desafios que foram surgindo, sem demagogia, sem populismos, sem extremismos, porque na política não vale tudo. O poder local foi das maiores conquistas que abril nos trouxe e o concelho de Penafiel, confirma-o”.

“Temos o desafio de alavancar a economia, de restituir as vidas perdidas, a confiança numa democracia sólida, transparente e justa” – Agostinho Guedes, CDS-PP de Penafiel

Agostinho Guedes, do CDS-PP de Penafiel, recordou também ele os tempos vividos nos últimos anos, em Estado de Emergência, que constrangeu relacionamentos familiares, sociais e profissionais. “Perdemos a nossa independência e autonomia”, referiu, recordando aqueles que perderam alguém para a pandemia, os profissionais de saúde, os trabalhadores, os professores e os empresários. “Vivemos um momento crítico e preocupante”, declarou, perante o desconhecimento daquilo que será a liberdades nos próximos tempos, cabendo a cada um tratar as marcas e restituir “as diferentes formas de liberdade”.

Convicto de que a guerra pandémica está a terminar, Agostinho Guedes deixou a certeza de que uma outra está a agudizar: a pobreza. O desafio será “grande”. “Temos o desafio de alavancar a economia, de restituir as vidas perdidas, a confiança numa democracia sólida, transparente e justa”, frisou, criticando o Governo por deixar vários setores fora as medidas, de não ter capacidade agregadora, que não sabe projetar, planear ou executar, que não investe nos jovens e quer dominar em vez de regular.

Alertou ainda para o afastamento das pessoas da política e a descrença que os leva a acreditar “cada vez mais nos profetas que lhes anunciam a boa nova”, com ideologias “distantes” dos princípios democráticos. “A democracia tal como a conhecemos está à prova como nunca esteve nos últimos anos” e o desafio tem que ser uma obrigação, “não deixar que se governe sem ser em democracia”, rematou.

“É essencial recordar esses valores de abril, a essência do nosso povo” – Paulo Araújo Correia, Partido Socialista

Paulo Araújo Correia, do PS, recordou os direitos que abril trouxe, a liberdade, os direitos sociais e laborais, do poder local democrático, do desenvolvimento “e do progresso ao serviço do povo”.

Lembrando os tempos difíceis, os desafios pandémicos “que não encontram precedentes” no tempo, referiu ser “essencial recordar esses valores de abril, a essência do nosso povo”, “um povo pacífico, empático e solidário”, que sempre olhou para os problemas da comunidade como sendo seus. E em pandemia, defendeu, não se deve esquecer o “altruísmo” dos portugueses, no apoio aos profissionais de saúde, no apoio aos mais carenciados. “Não falhamos uns aos outros, não falhamos enquanto seres humanos, não falhamos enquanto sociedade”, declarou, destacando os desafios políticos que se apresentam aos governantes.

Paulo Araújo Correia aproveitou o momento e afirmou que Penafiel tem um défice de liberdade junto dos mais jovens, que enfrentam problemas ao nível da habitação, da mobilidade, do emprego, do ambiente, entre outros. “Celebrar abril é reclamar a concretização de respostas aos défices de liberdade que ainda subsistem em Penafiel”, defendeu.

“Somos um país de chico-espertismo” – Vitorino Silva – Penafiel é Top

Vitorino Silva defendeu que “valeu a pena aquele abril” e recordou a evolução ocorrida nos últimos 50 anos, com redução das taxas de mortalidade infantil, com mais pessoas com curso superior.

Referindo também ele a dificuldade do último ano, “em que o covid veio para atrapalhar Portugal e o Mundo”, Vitorino Silva acredita que serviu ainda para tirar “grandes lições” e agradeceu às pessoas da ciência que em muito contribuíram em tempos pandémicos.

Vitorino Silva destacou ainda o desenvolvimento e crescimento dos territórios, “graças ao 25 de Abril. “Eramos um país atrasado”, declarou, destacando a necessidade de se defender a democracia. “Não é um sistema perfeito, mas é um sistema mais justo, num país de chico-espertismo. E se puséssemos o chico-espertismo de lado, Abril tinha mais sentido”, rematou.

“Falta muito para cumprir o sonho de abril” – Bruno Sousa – CDU/PCP de Penafiel

Bruno Sousa da CDU/PCP de Penafiel, apontou ainda “um longo caminho a percorrer, para responder às necessidades e ao progresso dos portugueses”.

Lembrou aqueles que “tombaram na luta contra o fascismo e que foram vítimas da repressão, da perseguição, da prisão, da tortura”, assim como os capitais de Abril.

Citando Álvaro Cunhal, constatou as liberdades de abril, as transformações económicas, culturais e sociais, a igualdade entre homens e mulheres, melhores condições de vida para o povo, os serviços públicos, “entre tantas outras conquistas que nos dias de hoje alguns querem reverter”.

No final, Bruno Sousa referiu que muito falta para cumprir “o sonho” de Abril, mas que “com a luta e resiliência dos portugueses”, será possível “continuar o caminho iniciado a 25 de Abril de 1974”, rematou.

Paços de Ferreira

Em Paços de Ferreira, o 47º aniversário da Revolução dos Cravos também foi assinalado de forma digital, com a transmissão das intervenções de Humberto Brito, presidente da Câmara Municipal de Paços de Ferreira, Miguel Costa, presidente da Assembleia Municipal e dos representantes de bancada do Partido Socialista e Partido Social Democrata.

“A pandemia conseguiu demonstrar a importância e a força da democracia” – Miguel Costa – Presidente da Assembleia Municipal de Paços de Ferreira

Na sua intervenção, o presidente da Assembleia Municipal de Paços de Ferreira não deixou de assinalar a situação pandémica que o país atravessa, que “continua ativa” também no concelho.

Contudo, para Miguel Costa, a covid-19 “conseguiu demonstrar a importância e a força da democracia conquistada em abril de 1974”, com a adaptação das instituições governamentais a nível central e local, ao elaborarem “um complexo plano de combate à covid-19”.

O presidente da Assembleia Municipal de Paços de Ferreira elogiou, assim, a Câmara Municipal por “um vasto conjunto de apoios”, entre os quais a instalação de um “dos maiores centros de vacinação do país”, agradecendo ainda a instituições, profissionais de saúde, empresas, e cidadãos anónimos .

“Vivemos tempos estranhos que perigam as conquistas de abril” – Hugo Lopes – PS de Paços de Ferreira

O líder da bancada do Partido Socialista na Assembleia Municipal, Hugo Lopes, mencionou na sua intervenção que se vivem “tempos estranhos” que “perigam as conquistas de abril”, nomeadamente “o risco da perda da memória” do que representou a mudança de uma ditadura para democracia e as “diferenças indiscutíveis e antagónicas” entre os dois regimes.

Para Hugo Lopes assiste-se, atualmente, à proliferação de movimentos que “branqueiam” estas diferenças e a “banalizam comportamentos antidemocráticos”, tentando dividir os portugueses e colocá-los em constante confronto. “Não podemos deixar que apaguem a memória de abril”, sublinhou.

Também para o líder de bancada do PS, a pandemia tem sido um teste ” à resiliência e cultura democrática”, apelando ao voto nas próximas eleições autárquicas e à “participação democrática”, verdadeiramente possível depois de abril de 1974.

“Está em quem governa assegurar a manutenção dos princípios de abril” – Miguel Martins – PSD de Paços de Ferreira

Miguel Martins, líder da bancada do PSD na Assembleia Municipal de Paços de Ferreira, considerou que as conquistas de abril “não podem ser colocadas eu causa”, cabendo a quem governa “assegurar a manutenção” dos princípios democráticos, através de palavras e ações.

O social-democrata sublinhou que a Revolução dos Cravos trouxe um “despertar” para o mundo associativo e que o nascimento de associações dinamizou a interação entre pessoas, a cultura e as tradições locais.

Contudo, Miguel Martins afirmou, durante a sua intervenção, que “o associativismo não pode ser usado como instrumento de chantagem política” ao serviço “dos interesses partidários e eleitorais”, e que a população deve participar ativamente, questionando o poder sobre as suas motivações.

“Temos de preparar o concelho para os desafios do futuro” – Humberto Brito – Presidente da Câmara Municipal de Paços de Ferreira 

Já o presidente da Câmara Municipal de Paços de Ferreira, Humberto Brito, considerou que a pandemia traz uma oportunidade de reinventar as apostas do concelho. “Nesta comemoração de 25 de Abril, somos convidados a participar ativa e empenhadamente na construção de soluções que melhorem as condições de vida no concelho”, afirmou.

Para Humberto Brito, é imperativo avançar com medidas de melhoria na habitação acessível em famílias jovens, desenvolver trajetos e mobilidade no território, criar espaços verdes e jardins, turísticos e culturais, “promovendo a paz, a reconciliação e o bem-estar entre o homem e a natureza”, defendendo ainda o comércio e economia local.

“Para servir bem os habitantes, o concelho não pode simplesmente voltar à normalidade da pré-pandemia. O nosso concelho precisa de ser mais sustentável, mais economicamente conectado e mais equitativo, tem de se reinventar”, considerou o autarca de Paços de Ferreira.

Humberto Brito deixou ainda o desafio “a todos os atores sociais” para a criação de um laboratório aberto para investigar “diferentes maneiras para preparar o concelho para o desafio do futuro”, passando por novas infraestruturas, formas de inclusão, contributos ara a saúde pública e para o desenvolvimento sustentável.

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