No dia 16 de abril, assinala-se o Dia Mundial da Voz. A voz é um instrumento fundamental de comunicação, expressão e identidade. É através dela que estabelecemos relações, transmitimos emoções e participamos ativamente na vida em sociedade. Para muitos profissionais, como cantores, professores, profissionais de saúde ou operadores de atendimento, a voz constitui mesmo a principal ferramenta de trabalho.
Apesar da sua importância, a saúde vocal continua a ser frequentemente desvalorizada. A evidência científica demonstra que os problemas da voz são mais comuns do que se possa pensar. Estudos epidemiológicos indicam que cerca de 30% das pessoas irão apresentar uma alteração vocal ao longo da vida, sendo a disfonia uma das queixas mais comuns. Mas os problemas da voz não afetam apenas adultos, estão descritos em crianças e adolescentes, sendo frequentemente associadas a comportamentos como falar alto, pigarrear ou esforço vocal excessivo.
No entanto, no meio da azáfama diária quantas vezes nos lembramos de cuidar corretamente da nossa voz?
Frequentemente, só valorizamos a nossa capacidade vocal quando a perdemos temporariamente ou quando a rouquidão se instala. Falamos demasiado alto, expomo-nos ao fumo do tabaco e esquecemo-nos do gesto mais básico como beber água. Estes pequenos descuidos continuados podem originar lesões graves nas cordas vocais, afectando não apenas a nossa saúde física, mas também o nosso desempenho profissional, as relações sociais e o bem-estar emocional.
Neste Dia Mundial da Voz, o principal objetivo é sensibilizar para a prevenção e adoção de medidas simples no dia a dia. Manter uma boa hidratação (beber entre 1,5 a 2 litros de água diariamente, pois a água atua como lubrificante natural das cordas vocais), evitar falar durante longos períodos sem fazer pausas ou tentar sobrepor o tom em ambientes muito ruidosos, afastar os elementos irritantes como o tabaco, excesso de álcool ou cafeína são essenciais para prevenir problemas associados à voz.
É muito importante estar atento aos sinais de alerta como rouquidão que persiste por mais de duas semanas, dor ao falar, sensação de garganta seca, variações na qualidade da voz, sensação de esforço para falar, como se precisasse “forçar” a voz, necessidade constante de pigarrear ou cansaço vocal são sintomas que justificam avaliação médica de um otorrinolaringologista.
A nossa comunidade vive de conversa, de partilha e convívio, sendo a voz o grande elo que nos une. Celebre hoje a sua voz, adote hábitos saudáveis e garanta que ela continua a ser ouvida de forma clara por muitos anos.
Cuidar da voz é cuidar da saúde como um todo. Pequenos gestos diários podem prevenir problemas futuros e garantir uma comunicação eficaz ao longo da vida.
Ana Catarina Silva, Carla Magalhães, Fernanda Martins
Enfermeiras do Serviço de Especialidades Cirúrgicas da ULS Tâmega e Sousa

