A sede da Junta de Freguesia de Lordelo, no concelho de Paredes, acolheu no passado sábado, 10 de outubro, a apresentação do romance O Menino Marceneiro, da autoria de Miguel Correia. Perante vasta assistência, o espaço foi transformado numa oficina de marcenaria antiga para recriar o ambiente e a memória de trabalho que caraterizam a região.
A obra inspira-se nas narrativas da tradição oral e familiar transmitidas pelo pai do autor. A trama acompanha o percurso de Francisco, um jovem da ficcionada aldeia de Ribeira do Moinho, desde a infância durante o Estado Novo até à velhice. Aos onze anos, a escassez de recursos financeiros força o protagonista a abandonar os estudos para trabalhar na marcenaria, num itinerário marcado pela tropa, pela Guerra Colonial, pelo 25 de Abril e pelas mutações na indústria do mobiliário.
Apoio institucional e dimensão cívica
A sessão de abertura contou com as intervenções de Filipe Carneiro, presidente da Junta de Freguesia de Lordelo, e de Francisco Leal, vice-presidente da Câmara Municipal de Paredes. Os autarcas sublinharam o percurso cívico, social e político do autor.
Destaques das intervenções:
Ativismo e política: Filipe Carneiro destacou a ação do autor como dirigente associativo na defesa do ambiente e o seu desempenho enquanto eleito pela CDU na Assembleia de Freguesia de Lordelo.
Trabalho científico: Francisco Leal recordou a edição da obra Autismo e Atraso de Desenvolvimento pela Fundação A Lord e enalteceu a persistência de Miguel Correia.
Análise literária e perspetiva pedagógica

A apresentação da obra esteve a cargo de Zita Carvalho, professora de Educação Especial e natural de Lordelo. A interveniente sublinhou o caráter representativo do romance para a comunidade local, descrevendo-o como «uma ficção que nasce de uma memória verdadeira».
No domínio pedagógico, Zita Carvalho estabeleceu um paralelo entre a aprendizagem prática da marcenaria e o modelo de ensino contemporâneo, defendendo a necessidade de a escola se adaptar às especificidades de cada aluno. A docente salientou ainda o valor do romance ao dar visibilidade ao papel histórico das mulheres no trabalho de produção e transporte de mobiliário.
Simbolismo e perspetiva do autor
Durante a sua intervenção, Miguel Correia explicou que a ficção serviu de estrutura para cruzar elementos reais da história familiar e regional, destacando a inclusão de referências à figura do ciclista Ribeiro da Silva, natural de Lordelo e vencedor da Volta a Portugal.
Para ilustrar visões distintas sobre a educação, o autor recorreu à metáfora de dois instrumentos de trabalho:
| Instrumento | Conceito associado | Aplicação na obra |
| Esquadro | Ângulo fixo de 90 graus | Representa o modelo de ensino rígido e normativo do Estado Novo. |
| Suta | Ângulo ajustável à peça | Simboliza a pedagogia adaptada às necessidades individuais do aluno. |
Ao abordar o significado central do livro, o autor assinalou o valor da mobilidade social através da educação e prestou homenagem ao trabalho e sacrifício dos seus pais.
Perfil do autor e disponibilidade da obra
Natural de Lordelo, Miguel Correia exerceu profissões como marceneiro, operador de supermercado, assistente administrativo e empresário no setor do mobiliário antes de ingressar no ensino. É doutorado em Ciências da Educação, lecionou Educação Especial durante oito anos e exerce atualmente como professor de Filosofia e Psicologia no Alentejo.
Entre as suas obras publicadas contam-se:
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Autismo e Atraso de Desenvolvimento (Fundação A Lord)
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A Rapariga e o Pastor do Crato (2025)
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Depois da Fuga — Os Silêncios de Campo Maior
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O Menino Marceneiro
A nova obra encontra-se disponível para aquisição nas plataformas online Amazon e BookMundo, bem como através de encomenda direta ao autor por correio eletrónico.

