Autor de: "eu" "Objetivo" "Eleito" "56" "Amarante" "Placa" "Fechado" "Crianças" "Radiante"; Pingo-Doce" "Obrigado" "Abragão"; "Droga", "Ciclistas"; "Calçada", “Isto é próprio de um país saloio(…)”,"Green” blá, blá, blá. “Clean”, blá, blá. “Healthy”, Blá blá, blá blá…

Ao entrar num jardim/parque da cidade de Penafiel pode ler-se:

“JARDIM DO CALVÁRIO

Construído em 1883 sob a direcção do horticultor Luís Barbosa Braga e conforme a planta proposta pelo edil Simão Júlio de Almeida e Mota Barbosa, o jardim público do Calvário possuía todos os elementos característicos dos seus congéneres nacionais e europeus. O pavilhão de música ou coreto, alguns bancos e as vedações foram encomendados à Fundição de Massarelos do Porto; as árvores vieram da mata do Choupal de Coimbra e dos viveiros municipais de Lisboa e algumas mais exóticas foram oferecidas pelo Visconde de Vilar de Allen, da sua quinta no Porto, tudo transportado por via-férrea até à estação de Novelas. Alguns bancos foram retirados do Jardim da Bela Vista situado na Praça do Município. De Lisboa veio também um casal de cisnes para o lago. A banda do quartel tocava no coreto aos domingos e quintas à noite e, de acordo com a regulamento do jardim, este apenas podia ser frequentado pela elite penafidelense e estava proibido aos aldeões e a pessoas descalças.”

Fantástica placa… sim, eu sei que há muitas semelhantes pela cidade, felizmente, embora quem as colocou não tenha tido, sequer, o cuidado de que ficassem “de nível”. Para lermos, algumas, precisamos de inclinar bem a cabeça… mas enfim, mais vale “tortas” que inexistentes.

É de lamentar que a placa não faça qualquer referência aos jardineiros, que, para além do seu salário, dedicam ao jardim, diariamente, a sua sensibilidade, a sensibilidade de quem lida com qualquer coisa  preciosa.

Por razões bem diversas se lamenta que não seja feita qualquer referência aos nomes de quem decidiu remover deste belo, e histórico jardim, a estátua do Homem de palavra que dá pelo nome de  Egas Moniz. Pelo mesmo motivo se lamenta que não seja feita qualquer referência a quem providenciou o melhoramento e grande aumento do parque infantil, fazendo tombar, sem qualquer dor, uma parte dessas históricas árvores vindas das mais inesperadas origens, deixando que, quando há sol, as crianças “torrem” à sua inclemência. Também não é referido o nome de quem autorizou a construção daquele novo apoio de jardim, café/bar, que ocupa um espaço exageradíssimo do parque. Da mesma maneira não é referido o nome de quem mandou erigir mais uma construção a que chamam pomposamente “interface de transportes”… e lá se foi mais uma “fatia” do jardim.

Não têm sido fáceis os tempos modernos para este jardim…

Todos os dias observo as fantásticas árvores que têm resistido ao novo modelo de edil… principalmente o imponente “liriodendro” (Liriodendron tulipifera), que a seu tempo carrega de belíssimas flores amarelas, ali nas proximidades do parque infantil… e rezo! As experiências mais recentes dizem que quando o atual presidente dorme mal, no dia seguinte vai haver uma razia nas árvores.

Recentemente os sanitários de apoio ao parque infantil também foram parar lá no “cú de Judas”… Mas, naturalmente, também “não lembrava ao Diabo” que o café/bar não tivesse instalações sanitárias exclusivas… e se fosse para um qualquer desgraçado comerciante de uma freguesia do concelho o estabelecimento ainda teria de ter mais um par de instalações sanitárias (para o “pessoal da casa”) privilégios da elite da cidade (também vemos isto na placa do parque…) … que para além de maior taxa de sucesso para o seu negócio ainda tem menos imposições de condições nas instalações.

Voltando à placa: Provavelmente a placa recorda de quem a “história reza” (fora o esquecimento dos jardineiros)…

E quase que me esquecia… felizmente para os cisnes que já não há residentes. Para além de o lago ter mingado significativamente, muito raramente tem água. Interessante… também o Lago do Sameiro mingou… há quem faça mingar lagos… há quem faça desaparecer árvores centenárias… Penso, até, que há quem faça as duas coisas.

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