Há certos fenómenos naturais que, apesar da sua perigosidade, apresentam uma grande beleza, como sejam os vulcões! Todos os outros, dada a sua incerteza e mobilidade, num período cada vez mais propício a fenómenos extremos destruidores, apenas causam pânico e medo. Temperaturas extremas, humidades baixas, ventos fortes, material combustível à discrição, comburente “infinito” …basta uma trovoada “seca” ou um ato “(não) consciente” e temos um fogo que rapidamente passa a incêndio, grande incêndio ou mega incêndio. Este é muitas vezes descontrolado, devastador e “autoalimentado” infinitamente! A palavra incêndio florestal já não serve para classificar o que “acontece”, e utiliza-se a expressão “grande incêndio” para áreas ardidas superiores a 100 hectares e mesmo “mega incêndio” para aqueles que criam a sua própria meteorologia, com nuvens de tempestade, ventos erráticos e faíscas a grandes distâncias, criando novos incêndios!
O ano passado, apesar da redução do número de incêndios rurais, foi um dos piores em termos de área ardida, com 44 incêndios com mais de 500 hectares ardidos, segundo o relatório “incêndios 2025”. Os especialistas utilizam o Índice Meteorológico de Severidade Diário –DSR (Daily Severity Rating) para melhor caraterizar um incêndio, pois não chega apenas a sua dimensão e área ardida, importa relacioná-lo com a respetiva condição meteorológica. O índice DSR traduz de forma indireta a severidade meteorológica diária local, onde valores superiores a 15 indicam já condições meteorológicas adversas (temperaturas elevadas, vento forte, ausência de precipitação e humidade relativa baixa). Em 2025, enquadravam-se nesse nível 3071 incêndios, dos quais, 446 estavam na classe DRS superior a 30, segundo o 8.º relatório provisório de incêndios rurais de 2025. Por curiosidade, o relatório “incêndios 2025” informa que o DSR acumulado de 2025 foi o quinto pior, onde 2017 está infelizmente no primeiro lugar.
Há 9 anos atrás, Portugal vivenciou uma das situações mais chocantes com 119 vítimas. O medo dos incêndios tornou-se uma realidade na consciência de todos. Passar numa estrada municipal em dia de calor extremo, com mato dos dois lados, será sempre um gatilho emocional que nos reporta a esses acontecimentos. E se “isto” começa a arder?
Há que aprender com o passado, e a melhor forma de homenagear as vítimas de 2017 é evitar que se volte a repetir situação semelhante! Claro que não é fácil interromper um dos fatores do “tetraedro do fogo” em ambiente natural e, por vezes, será mesmo impossível! Estar no comando em situações destas não será tarefa fácil, assim há que homenagear todos aqueles que coordenam as operações, que com os dados que têm naquele momento, tomam decisões em segundos! Decisões essas que podem ser as mais corretas há 15 minutos atrás e que, posteriormente, podem-se tornar inadequadas, se não forem prontamente corrigidas. Em especial homenagear todos os bombeiros e restantes agentes de proteção civil, que correm a combater as chamas, quando (quase) todos fogem delas!
As principais causas dos incêndios rurais de maiores dimensões foram o incendiarismo (imputáveis), queimas/queimadas, cigarros, maquinaria agroflorestal, raios, transportes e comunicações e churrascos. Afinal, exceto as situações naturais, o maior causador de incêndios é o…ser humano! É aqui que o Coaching faz sentido ao promover a mudança de mentalidade e consciencializar para a conservação das florestas e da natureza
Através da Prática do Coaching, é possível refletir sobre atitudes/comportamentos potencialmente incendiários e adotar uma superior consciência holística.
Não perca o próximo artigo de “Coaching…para quê?” Leia mais artigos na página de opinião do IMEDIATO.



