Manuel Pinto
Fotografia: IMEDIATO / Ricardo Rodrigues

Aos 78 anos de idade, Manuel Pinto inaugurou a sua primeira exposição, onde mostra as miniaturas que construiu durante os últimos anos com recurso a materiais reutilizados. A paixão pela atividade surgiu há cerca de 14 anos e já são inúmeras as horas passadas no Centro de Dia do Centro Comunitário Dr. José Bastos, em Seroa, a reconstruir monumentos do concelho – e não só – em ponto mais pequeno.

“É uma forma de passar o meu tempo de ócio, por vezes também começo uma miniatura em casa, durante o fim-de-semana, e depois continuo no Centro de Dia. São amigos, cafés e a instituição que me ajudam a conseguir as rolhas e o material que preciso para as peças”, explica ao IMEDIATO, sublinhando que uma miniatura pode implicar a recolha de cerca de três mil rolhas de cortiça ou fósforos usados.

Tudo começou com simples peças feitas para oferecer aos colegas do Centro de Dia, como molduras para fotografias. Contudo, com o estímulo da equipa da instituição, os projetos começaram a crescer em tamanho e ambição. A primeira “grande” peça de Manuel Pinto foi a Igreja de Seroa, monumento que já foi replicado pelo artista por duas ocasiões, com recurso a materiais diferentes.

O património da freguesia de Seroa é a principal inspiração do quase octogenário, mas também a sua própria criatividade e experiência de vida são “combustível” para a criação de novas maquetes. Esta sexta-feira, as suas peças mais recentes foram colocadas em exposição no Posto de Turismo de Paços de Ferreira, edifício onde também está instalada a Polícia Municipal.

Entre as peças expostas está o maior trabalho que alguma vez construiu: uma réplica do Castelo de Guimarães, edificada após uma visita do grupo do Centro de Dia ao monumento. A peça já valeu ao artista uma carta de agradecimento por parte do presidente da Câmara Municipal de Guimarães e uma estátua de D. Afonso Henriques.

“Sinto-me maravilhado. Nunca pensei que isto fosse acontecer, sinto-me muito contente. Inaugurar uma exposição com os colegas do Centro de Dia aqui comigo ainda me sinto mais feliz”, afirmou, em declarações ao IMEDIATO.

Na sua intervenção, o vereador da Câmara Municipal de Paços de Ferreira com o pelouro da Cultura, Júlio Morais, parabenizou o autor das peças em exposição, assim como a instituição pelo incentivo à atividade. “Esta exposição mostra-nos que a idade não tem limites e é um exemplo para todos nós“, afirmou o vereador, desafiando Manuel Pinto a construir, no futuro, uma miniatura do Mosteiro de S. Pedro, um dos ícones do concelho de Paços de Ferreira.

De momento, o sénior encontra-se a trabalhar numa igreja e baseia o trabalho na sua memória. “Estou a trabalhar a partir da minha memória, lembro-me de ver uma grande igreja com duas torres de sino de cada lado e decidi fazer uma miniatura. Até as rolhas estão a ser selecionadas, são todas iguais. O trabalho vai ficar bom”, afirma, confiante.

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