Saudade/Contra o medo… esperança!

A análise da obra de Saramago e as comemorações nacionais e “universais” em curso no centenário do seu nascimento, obrigam-nos a pensar… Forçosamente!

Toda a sua ficção esteve em movimento, em análise, já que o autor nos legou uma obra que é um monumento fulgurante da nossa história literária.

O que foi feito, aqui no Concelho, foi um empurrão para actividades futuras que espero ver concretizadas. Assim há-de ser!

Ao longo deste ano, aconteceram celebrações que emocionaram e algumas editoras comentaram que o interesse pela obra de Saramago cresceu e que o seu pensamento é uma referência contínua no espaço português e em diversos países no mundo. Afinal, aprender a ler Saramago é também mostrar que nos seus livros está a complexidade do ser humano e, sobretudo, poder sentir que o nosso mundo poderia ser bem melhor e bem mais justo… E, quantos livros foram lidos durante este ano no espaço que piso convosco e que poderia ter sido o desvendar da escrita do nosso Nobel da Literatura? Talvez seja melhor nem saber… Feliz, observo que os meus netos terão contribuído, tenho a certeza! Estiveram comigo, presentes, e neste novo esquema de ensino/aprendizagem, apresentaram obras bem representativas do escritor…

Ao mesmo tempo, e apesar de todo o pessimismo que às vezes deixo transparecer, saliento que Saramago sempre soube tocar nos temas mais sensíveis e, também por isso, concluo que sinto falta daquela voz rouca que, em forma de crítica, sublinhava tudo o que lhe parecia mal…

Afinal, o que diria hoje Saramago das enormes fraquezas e falhas que assolam o país? Talvez não seja fácil acreditar na disponibilidade de Saramago para com os jovens mas, recordando algumas das suas palavras e atitudes, hoje, acredito, os jovens activistas que se manifestam em Lisboa, não estariam sós…

Por isso me associo também àqueles que lutam contra o fracasso climático e a própria Cimeira do Clima. Pelo clima, os jovens unidos, resistem e é importante que nós os saibamos ouvir. Estes jovens, hoje, são o pontapé de saída para uma luta que tem vindo a radicalizar-se e vai continuar… Tenho a certeza! Com eles, os jovens activistas de hoje, é fácil constatar que todos temos de agir já que não há outra opção. A crise climática está a escalar, por isso, gritam os jovens, temos de escalar a nossa resposta… E a resposta está aí! Se não são os mais velhos a tomar uma atitude séria contra os desastres naturais que estão a acontecer, que sejam os jovens a quebrar a normalidade! Que sejam eles a marchar pelo clima… Que sejam eles a ocupar Escolas e Faculdades… Que sejam eles a garantir e a prometer não ficar por aqui!

E Saramago, que tem ele a ver com isto? Tudo… Muito mesmo… Para os que tiveram a sorte de o ouvir falar do mundo cheio de problemas… Para os que tiveram a oportunidade de sentir que ele, depois dos setenta anos, confiava e esperava uma atitude de coragem e de força vinda dos jovens, hoje, aprender a ler Saramago, é também mostrar que nos seus livros está a complexidade do ser humano e, sobretudo, aprender a sentir que o nosso mundo poderia ser bem mais justo… Porque, no mundo, há ainda muito por acontecer…

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