Um estudo recente da Direção-Geral de Estatísticas da Educação e Ciência (DGEEC), relativo à evolução das classificações internas do ensino secundário entre os anos letivos de 2017/2018 e 2024/2025, revela uma tendência de subida contínua nas notas atribuídas pelos professores. A análise destaca a existência de 38 colégios privados em Portugal onde pelo menos 30% dos estudantes obtiveram 19 ou 20 valores em todas as disciplinas. No ensino público, apenas três escolas atingiram uma proporção semelhante.
A nível geral, a média das classificações no ensino privado situou-se nos 16,8 valores em 2024/2025, enquanto no ensino público fixou-se nos 15,0 valores — mantendo-se a diferença histórica de 1,8 valores entre ambos os setores. Nas disciplinas anuais (não sujeitas a exame nacional), como Aplicações Informáticas B, a média atingiu os 18,7 valores no privado e 18,1 no público.
Segundo o investigador Pedro Freitas (Universidade de Oxford / Nova SBE), o salto nas notas registado durante a pandemia de covid-19 não foi posteriormente corrigido, permanecendo os critérios de avaliação elevados nos anos subsequentes.
Cenário no Vale do Sousa
A análise detalhada aos dados da DGEEC não aponta de forma nominal a inclusão direta de colégios do Vale do Sousa (região que abrange os concelhos de Paços de Ferreira, Penafiel, Paredes, Lousada e Felgueiras) na lista restrita das 38 instituições privadas com 30% de notas máximas generalizadas.
Apesar de a região contar com colégios de referência com oferta de ensino secundário — como o Colégio Nova Encosta (Paços de Ferreira) ou o Colégio Casa do Mãe (Paredes) —, os dados disponibilizados pelo Ministério da Educação focam-se nos agregados nacionais e na disparidade entre notas internas e exames nacionais.
Nas escolas públicas da região (como a Escola Secundária de Paços de Ferreira, Escola Secundária de Penafiel, Escola Secundária de Paredes ou os agrupamentos de Lousada e Felgueiras), o comportamento das notas internas seguiu a tendência nacional de subida progressiva da classificação mais frequente (moda), que subiu de 15 para 17 valores ao longo dos últimos oito anos.

