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O transporte marítimo destaca-se como a principal via de entrada em todo o país. FOTO: Bruno Pinto

O número de espécies marinhas não indígenas registadas em Portugal subiu para 231, de acordo com o mais recente inventário nacional publicado na revista científica Marine Pollution Bulletin. Liderado por investigadores do MARE (Centro de Ciências do Mar e do Ambiente) e do ARNET (Rede de Investigação Aquática), o trabalho reúne o contributo de 31 cientistas de 11 universidades e de várias entidades públicas. Trata-se da atualização mais completa desde 2015 e inclui a descoberta de cinco novas espécies junto ao Porto de Sines.

A distribuição geográfica revela que o continente concentra a maior parcela, com 159 espécies confirmadas, seguido pelos arquipélagos dos Açores (81) e da Madeira (62).

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Equipa desenvolveu uma lista de vigilância pioneira com 22 espécies detetadas exclusivamente por métodos moleculares, como o ADN ambiental. FOTO: Paula Chainho

Origens e rotas de introdução

O estudo mapeou origens distintas consoante a região geográfica:

  • Portugal Continental: A maioria das espécies (39%) provém do oceano temperado do Pacífico Norte, enquanto 24% têm origem no Atlântico Norte.

  • Açores: Apresentam um perfil próximo do continente, com 37% de espécies oriundas do Atlântico Norte e 19% do Pacífico Norte.

  • Madeira: O padrão inverte-se, dominando o Atlântico Norte (27%) e o Atlântico Tropical (24%).

O transporte marítimo — em particular através da água de lastro e da bioincrustação em cascos de navios — destaca-se como a principal via de entrada em todo o país. A aquacultura assume também peso relevante em águas continentais. Devido ao volume de tráfego e à localização no cruzamento de rotas internacionais, o Porto de Sines consolida-se como um ponto estratégico de entrada.

ADN ambiental e lacunas no conhecimento genético

A equipa desenvolveu uma lista de vigilância pioneira com 22 espécies detetadas exclusivamente por métodos moleculares, como o ADN ambiental. Esta ferramenta atua como um sistema de alerta precoce, permitindo identificar potenciais invasores antes de serem observados visualmente no terreno.

No entanto, o estudo assinala um obstáculo técnico: embora 71% das espécies catalogadas constem de bases de dados genéticas internacionais, apenas 12,5% contam com sequências obtidas a partir de espécimes recolhidos em águas portuguesas. O recurso a referências genéticas estrangeiras pode reduzir a precisão de ferramentas de deteção rápida e dificultar a distinção entre espécies geneticamente semelhantes, tornando a recolha local de amostras uma prioridade para a monitorização futura.

Financiamento e colaboração institucional

A investigação foi coordenada por Paula Chainho e teve Romeu Ribeiro como primeiro autor (ambos do MARE-ULisboa). O trabalho contou com a colaboração da Direção-Geral de Recursos Naturais, Segurança e Serviços Marítimos (DGRM), do Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA) e do Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF).

O financiamento do projeto assegurou-se através do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), no âmbito da Agenda NEXUS, e da Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT).

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