O deputado do PS confrontou o Governo com o contraste entre o discurso oficial e a realidade das famílias, apontando falhas críticas na saúde, habitação e execução do PRR.
Numa intervenção incisiva no Parlamento, o deputado socialista Humberto Brito lançou duras críticas aos dois anos de governação da Aliança Democrática (AD), acusando o Executivo de manter uma narrativa de otimismo que não corresponde à vivência dos portugueses. O parlamentar chegou a comparar a postura do Governo aos episódios de comédia surrealista dos Monty Python, afirmando que, para a AD, “o país está melhor”, enquanto o povo sente o “empobrecimento”.
O Legado do PS vs. a Realidade Atual
O antigo presidente da Câmara Municipal de Paços de Ferreira iniciou o seu discurso defendendo o legado dos oito anos de governação socialista, admitindo que, embora não tenham sido “perfeitos”, deixaram as “contas certas”, devolução de rendimentos e o emprego em máximos históricos.
Em contrapartida, o deputado traçou um cenário negro do estado atual do país sob a gestão da AD:
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Habitação: Classificou as casas como “inacessíveis”, notando que o custo da habitação consome agora mais de 80% do rendimento de algumas famílias.
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Saúde: Alertou para o encerramento de urgências e para o facto de, pela primeira vez, mais de um milhão de portugueses estarem em listas de espera para consultas hospitalares.
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Economia e PRR: Criticou a “economia a minguar” e o atraso na execução das obras do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR).
Críticas à Aliança com o Chega
Humberto Brito não poupou críticas à estabilidade política, referindo-se aos dois anos de “maioria absoluta com o Chega”. Segundo o deputado, o Governo tem utilizado este período para apresentar “desculpas” em vez de soluções, aproveitando a ausência de uma oposição que possa culpar para justificar a falta de resultados.
“Fazem política seguindo os episódios dos Monty Python: para vocês o país está melhor, muito melhor, enquanto o povo sabe que isto está bem pior”.
O deputado terminou a sua intervenção com uma pergunta direta ao Executivo: “Quando é que o Governo da AD deixa de falar dos governos do PS e começa efetivamente a governar o país?”.

