Apesar de ser considerada a prioridade nacional fora da alta velocidade, a ligação entre Valongo e Felgueiras está num impasse. Segundo avança o Jornal de Notícias, a ausência de uma análise técnica da Infraestruturas de Portugal impede o financiamento e a decisão final.
A nova linha ferroviária do Vale do Sousa continua sem luz verde para avançar. O alerta foi dado ontem no Parlamento por Álvaro Costa, presidente da Trenmo, que revelou que o projeto carece de um estudo determinante de custo-benefício. De acordo com a edição de hoje do Jornal de Notícias, esta análise é a “peça fundamental” para assegurar o financiamento e a viabilidade da obra.
Uma prioridade “sem maturidade”
O projeto, que prevê ligar as estações de Valongo (na Linha do Douro) a Felgueiras, é descrito por especialistas como o eixo com maior dinamismo e procura sem paralelo no país. Contudo, Álvaro Costa admitiu perante a Comissão de Infraestruturas que o processo ainda não atingiu a maturidade necessária para sair do papel.
As incertezas prendem-se sobretudo com os custos:
-
Orçamento desatualizado: Os 200 milhões de euros inicialmente previstos podem estar hoje muito abaixo do custo real.
-
Traçado em análise: O percurso atual, dividido em troços de 10 a 17 quilómetros, poderá sofrer alterações para reduzir o investimento elevado.
-
Dependência externa: A decisão final permanece suspensa até que a Infraestruturas de Portugal conclua o estudo de viabilidade.
Pressão dos autarcas: “Ou se faz ou não se faz”
O presidente da Comunidade Intermunicipal (CIM) do Tâmega e Sousa, Nuno Fonseca, reforçou a urgência da infraestrutura no Parlamento. Conforme relata o JN, o autarca defende que o território já cumpriu a sua parte e que a utilidade da linha é inquestionável, servindo fluxos populacionais que, em Felgueiras, chegam a duplicar a população residente.
“O que eu não quero é que este estudo sirva de artifício para encostar a linha a um canto”, afirmou Nuno Fonseca, exigindo uma posição clara do Governo sobre o futuro do projeto.
Marco de Canaveses: Ponte é “questão de vida ou morte”
A par da ferrovia, a região enfrenta outro problema crítico de mobilidade. Nuno Fonseca alertou para a necessidade urgente de uma nova travessia sobre o rio Tâmega, no Marco de Canaveses. O Jornal de Notícias destaca que o atual “gargalo” na ponte existente está a condicionar o socorro médico.
Citando dados do centro hospitalar regional, o responsável associou a falta de acessos a uma maior mortalidade por AVC, devido ao tempo excessivo que as ambulâncias demoram a chegar às unidades de saúde. “Não podemos deixar que alguém fique parado numa ambulância e acabe por morrer”, apelou.

