Autor de: "eu" "Objetivo" "Eleito" "56" "Amarante" "Placa" "Fechado" "Crianças" "Radiante"; Pingo-Doce" "Obrigado" "Abragão"; "Droga", "Ciclistas"; "Calçada", “Isto é próprio de um país saloio(…)”,"Green” blá, blá, blá. “Clean”, blá, blá. “Healthy”, Blá blá, blá blá…

Tenho agora uma neta com três anos… estava “na hora” de a levar a visitar o presépio ali junto da Igreja Matriz… Em Penafiel.

Fui lá “espreitar” previamente e, para meu espanto, não havia presépio. Para meu espanto e surpresa…. Era quase uma tradição levar lá os mais novos… Os meus filhos foram lá regularmente ao longo de uns vinte anos…. Estava em tempo de iniciar um novo ciclo. De pais para filhos, de avós para netos.

Fiquei dececionado! Mas não é este um movimento recorrente? O promovido por mão popular não está na moda. Não faltam bocas a repetirem constantemente o termo “tradicional” … Já é quase uma tradição falar do ser: “tradicional”. Ali, no presépio popular, eu procurei mostrar aos meus filhos… e agora à minha neta… o que é Popular. Feito por vontade própria, feito por amor, feito por bairrismo. Popular!

Pronto… não teria presépio popular para mostrar à minha neta… Mas, uma bela manhã, lá fui tomar o meu café à esplanada habitual. Enquanto apreciava, como todas as vezes que ali vou (ou a qualquer outro sítio), o que me rodeava, vi, colocado num poste, um letreiro que dizia “Presépio mais acima” … Quando que levantei para seguir o meu dia lembrei-me do letreiro e lá fui “espreitar” o que se passava…

Para meu espanto, era o antigo presépio das proximidades da Igreja Matriz…. Instalado numa loja.

Conservava todo o seu “ser” popular…, mas numa loja não era a mesma coisa.

Enquanto apreciava verifiquei que era o mesmo senhor do presépio das proximidades da Igreja Matriz.

Acabei por, numa conversa “de deitar assunto fora”, ficar a saber que a instalação do presépio não tinha sido permitida (no local habitual) … Tudo parecia indicar que alguém da Igreja Matriz não apreciava a expressão popular ali a confrontar com o magnifico edifício que é Casa do Pai de todos nós. Penso que, por pura depreensão, esse alguém terá contactado a Camara Municipal e a Camara Municipal terá impedido a montagem do tal “Presépio popular”

Se recuássemos no tempo lembrar-nos-íamos da divisão da sociedade portuguesa (como tantas outras) em Clero, Nobreza e Povo… Aqui, também sem surpresa, quem teve e pegar “na trouxa” e mudar de pouso, foi o Povo. Claro: sem surpresa!

Estaremos perante o regresso da “Contrarreforma”? Será que os “santinhos” de barro, pintados a corres berrantes, vão ter de ser substituídos por imagens ricamente “vestidas”?

A Igreja Matriz tem na sua fachada uma pintura onde São Martinho partilha com um pobre pedinte uma parte da sua capa de garboso soldado romano…

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