O serviço de transporte público a pedido, promovido pela Comunidade Intermunicipal (CIM) do Tâmega e Sousa sob a designação LIGA, prepara-se para entrar numa nova fase de expansão, com a previsão de chegada progressiva a todos os concelhos do Vale do Sousa.
Criado em 2021 para suprir as falhas de mobilidade em zonas rurais e de reduzida oferta de autocarros, o projeto arrancou inicialmente nos municípios de Baião, Cinfães e Resende, tendo sido posteriormente alargado a Celorico de Basto e Lousada. Conforme reporta o JN, no próximo mês de outubro, o serviço passará a cobrir também Castelo de Paiva.
Nas fases subsequentes de alargamento, a CIM do Tâmega e Sousa prevê integrar Marco de Canaveses e Penafiel, estando a entrada de Felgueiras e Paços de Ferreira calendarizada para uma fase posterior, visando dotar o território do Tâmega e Sousa de uma rede complementar de transporte flexível.
Mais de 255 mil passageiros transportados e forte impacto social
A taxa de adesão da população tem-se refletido nos números apresentados pela Autoridade da Mobilidade e dos Transportes (AMT) e pela CIM. Nos seus cinco anos de funcionamento, o transporte a pedido já assegurou a deslocação de 255 718 passageiros na região.
Em concelhos pioneiros como Cinfães — o município com maior procura —, registaram-se 4 902 utentes no último ano. Até julho deste ano, o sistema contabilizava já 3 278 utilizadores na região, traduzindo um crescimento de 27,2% em comparação com o período homólogo.
Financiado pelas autoridades de transporte municipais e intermunicipais, o modelo assegura que o passageiro pague apenas o valor equivalente ao bilhete de autocarro convencional, cabendo à CIM suportar a diferença restante para o serviço de táxi. Segundo a reportagem do JN, as viagens destinam-se maioritariamente a consultas médicas, acesso a serviços públicos ou deslocações para compras, sendo a população idosa e a população sem meio de transporte próprio os principais beneficiários.
Flexibilidade e ligação aos hospitais no horizonte (2027)
Embora a avaliação do serviço por parte dos utilizadores e profissionais de táxi seja amplamente positiva — revitalizando o setor do táxi local —, são apontadas melhorias a implementar. Atualmente, os utentes criticam a obrigatoriedade de reserva prévia até às 15h00 do dia anterior e a limitação de utilização a duas viagens semanais.
Em declarações ao Jornal de Notícias, o secretário-executivo da CIM do Tâmega e Sousa, Telmo Pinto, explicou que a comunidade intermunicipal se encontra a estudar soluções para aumentar a flexibilidade do serviço e permitir viagens intermunicipais — uma medida de especial relevância para o Vale do Sousa, permitindo o deslocamento direto a consultas e tratamentos hospitalares em centros urbanos vizinhos. Esta alteração deverá avançar até 2027.
“Não faz sentido termos autocarros praticamente vazios a circular. O transporte flexível será cada vez mais a resposta para estes territórios”, sintetizou o responsável da CIM ao JN.
A nível nacional, os dados reunidos pela AMT indicam que o transporte a pedido abrange atualmente 160 municípios e 19 sub-regiões (cerca de 42% dos concelhos do continente), sendo apontado pela autoridade como uma ferramenta essencial para a coesão territorial, transição energética e simplificação do acesso à mobilidade em zonas periurbanas e rurais.

