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O conservadorismo que se perpetua devido à nossa herança religiosa, que durante décadas determinou a pulsão do Estado em controlar-nos na virtude é difícil de esboroar. Com esta carga idílica de perfeição fomos perpetuando formulas de construção de sociedade que deveriam estar condenadas.

A sociedade machista e patriarcal é uma das ideias que urge desmoronar.

Em primeiro por aquilo que a mulher representa na sociedade de hoje, pela sua capacidade, pelos seus indiscutíveis méritos que naturalmente estão em plano de igualdade com os do homem.

Em segundo, para defender e proteger o homem desta carga de responsabilidade, que ele tende a eternizar por achar que isso o coloca num patamar superior, mas quanto mim, apenas consegue uma de duas coisas; ou o torna ávido de sucesso contra tudo e contra todos ou o vulnerabiliza e o remete para uma espiral de insuficiência que o irá destruir.

A atestar isto que digo, veja-se o sem número de homens desprovidos de qualquer moral que se corromperam como forma de corresponder ao compromisso de patriarcas que os obriga à provisão do seu agregado familiar. E por outro lado, aqueles que não conseguiram assegurar esta obrigação e fracassaram nesse propósito, enlearam-se em teias de melancolia e de inaptidão.

Atente-se aos dados relativos a homens referentes à reclusão, à prevaricação, a estados de depressão e a suicídio. A sociedade machista indiscutivelmente contribui para que estes dados se revelem muito superiores nos homens.

O mecanismo machista intrínseco da sociedade é ativado para resoluções que são no mínimo curiosas. Quando um homem executa tarefas que a sociedade determinou que são do foro da mulher, estas pequenas tarefas são incorporadas na estrutura social sob forma de capitalismo. O homem não faz nada sem o devido retorno do “sagrado dinheiro”, porque o homem tem de provir sustento e não pode simplesmente desempenhar um serviço doméstico grátis.

Se um homem costura, ele não cose um botão ou cerze umas meias, nem pensar, o homem ou é estilista ou está ligado à alta costura; se um homem cozinha, ele não está à volta dos tachos, nem pensar, o homem é um prestigiado chefe de cozinha; se um homem se dedica à manutenção da casa, ele não limpa o pó ou aspira, nem pensar, ele é um empreendedor que abriu uma empresa na área da limpeza; se o homem trata da roupa, ele não lava a roupa, nem pensar, no mínimo ele abriu um destes negócios modernos de lavandaria self-service; se um homem dobra e alinha a roupa, ele não passa a ferro, nem pensar, o homem é dono de uma engomadoria e… contratou mulheres!

Homens, permitam-se libertar deste preconceito! Levantem esse rabinho do sofá, rompam com os estigmas e demonstrem que só não fazem essas tarefas domésticas por convenção e não por incapacidade. Sei que custa perder essas regaliazinhas de serventia que as mães ensinaram aos seus filhos machos, percebo, sei que aquele ociozinho de final de dia é tão retemperador e provavelmente merecido. Mas homens, libertem-se, deixem de se “armar aos cágados” de que só estais disponíveis para atividades prodigiosas ou projetos transcendentes e que isso das arrumações, da feitura da comida e da limpeza é coisa menor. Coloquem essas atividades em plano de igualdade com a vossa atividade profissional, porque o sucesso nessa área também será felicidade!

Está na altura de os homens perderem o mimo em casa e ganharem dessa forma tolerância e direito ao falhanço no seu âmbito profissional, mais que isso, homens e mulheres, está na hora de sermos cooperantes no trabalho doméstico gratuito e co-responsáveis no trabalho profissional pago.

 

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