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Por estes dias cruzei-me com esta palavra e uso intencionalmente o verbo cruzar, porque a palavra xurdir foi referida numa entrevista à Prova Oral da Antena 3 por Paulo Freixinho, cuja a sua profissão é, pasmem-se, cruciverbalista!

Antes de esmiuçar o significado da palavra xurdir é imperativo explicar o que é um cruciverbalista, certo? Cruciverbalista é alguém que cria palavras cruzadas, esse fabuloso passatempo que nos acostumamos a ver e a resolver em edições de jornais e revistas.

Paulo Freixinho mencionava na entrevista a sua natural curiosidade pela descoberta de novas palavras, propensão perfeitamente entendível para o desempenho da sua profissão.

Xurdir foi-lhe dada a conhecer em meados de 2014 e gostou tanto da fonética desta palavra, que associada ao seu significado, promoveu uma empenhada campanha para elegê-la como palavra do ano. De referir que em 2014 a palavra do ano foi corrupção e xurdir ficou em segundo lugar, naturalmente embalada pela dedicada promoção de Paulo Freixinho.

Não desmerecendo 2014, até porque se a palavra do ano foi corrupção, seguramente não terá sido um ano fácil. Mas significando xurdir lutar pela vida e podendo interpretar-se também como fazer pela vida, parece-me que esta é seguramente a palavra do momento.

Verbalizando xurdir, ninguém pode negar que diariamente xurdimos, ou seja lutamos pela vida contra esta maléfica doença que nos assola e teima metafórica e literalmente tirar-nos a vida e também xurdimos, fazemos pela vida reinventando os nossos negócios e os nossos empregos, que fruto das inúmeras restrições nunca estiveram tão frágeis.

E gosto da palavra xurdir porque me parece uma palavra sem pressa de se resolver, uma palavra que aprecia um ritmo paulatino, vagaroso, que adia a sua conclusão. Uma palavra que nos sussurra um constante e silencioso incentivo e nos obriga a bulir. É uma palavra curta, mas que nunca se completa, que se prolonga insaciada e eu quero tê-la comigo, como sempre tive, mas agora com consciência dela.

E por isso vou tatuar a palavra XURDIR… não no corpo, mas sim na alma!

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