Começaram hoje a ser ouvidos pelo Juiz de Instrução Criminal do Tribunal de Penafiel os sete suspeitos de gerirem nove lares ilegais em Lousada, detidos esta terça-feira. Os interrogatórios foram interrompidos ao final da tarde e vão prosseguir amanhã.
O grupo de sete detidos, seis mulheres, entre os 25 e os 65 anos, e de um homem, de 60, todos da mesma família, estão indiciados por quatro homicídios, associação criminosa, maus-tratos, fraude fiscal e burla. São todos suspeitos de integrar um esquema que, desde 2016, lucrou com o acolhimento de idosos vulneráveis, em casas sem licença para funcionarem como lares. Durante este período, a família transformou nove apartamentos em lares ilegais, onde acolheu cerca de 170 idosos. As vítimas eram forçadas a dormir no chão, estavam mal alimentadas, eram agredidas e privadas de condições de higiene, assistência médica ou medicação. Quatro destas pessoas terão mesmo morrido devido aos maus-tratos.
As residências geridas pelos agora detidos, já tinham sido alvo de buscas em 2024 e, esta terça-feira foram encerradas pela GNR, que, acompanhada por técnicos da Segurança Social, resgatou 11 idosos, nove mulheres e dois homens, com idades compreendidas entre os 78 e os 95 anos.
O esquema era liderado por Carla R., que contava com a ajuda do companheiro, das filhas e de uma irmã para manter uma estrutura em que cada elemento tinha uma função específica. A mulher arrendava as residências, através da publicação de anúncios, oferecendo um serviço de acolhimentos para idosos. Aos interessados, mostrava um apartamento, no centro da vila de Lousada, que cumpria os requisitos para a boa acomodação dos utentes. Mas quando os idosos ficavam a cargo da família, eram transferidos para outras casas sem as mínimas condições e sem licença para funcionarem como lares.
Em setembro de 2024, denúncias de familiares de idosos, dos serviços sociais do Hospital Padre Américo, em Penafiel, e de técnicos da Câmara de Lousada já tinham levado a GNR a realizar buscas nos lares ilegais. Na altura, ninguém foi detido, mas a Segurança Social deu ordem para encerrar imediatamente os espaços, mas a ordem acabou por ser ignorada pela família até à intervenção desta semana.



