interrogatorio
ISCE Douro 2026

Começaram hoje a ser ouvidos pelo Juiz de Instrução Criminal do Tribunal de Penafiel os sete suspeitos de gerirem nove lares ilegais em Lousada, detidos esta terça-feira. Os interrogatórios foram interrompidos ao final da tarde e vão prosseguir amanhã.

O grupo de sete detidos, seis mulheres, entre os 25 e os 65 anos, e de um homem, de 60, todos da mesma família, estão indiciados por quatro homicídios, associação criminosa, maus-tratos, fraude fiscal e burla. São todos suspeitos de integrar um esquema que, desde 2016, lucrou com o acolhimento de idosos vulneráveis, em casas sem licença para funcionarem como lares. Durante este período, a família transformou nove apartamentos em lares ilegais, onde acolheu cerca de 170 idosos. As vítimas eram forçadas a dormir no chão, estavam mal alimentadas, eram agredidas e privadas de condições de higiene, assistência médica ou medicação. Quatro destas pessoas terão mesmo morrido devido aos maus-tratos.

As residências geridas pelos agora detidos, já tinham sido alvo de buscas em 2024 e, esta terça-feira foram encerradas pela GNR, que, acompanhada por técnicos da Segurança Social, resgatou 11 idosos, nove mulheres e dois homens, com idades compreendidas entre os 78 e os 95 anos.

O esquema era liderado por Carla R., que contava com a ajuda do com­pa­nheiro, das filhas e de uma irmã para man­ter uma estru­tura em que cada ele­mento tinha uma fun­ção espe­cí­fica. A mulher arrendava as residências, através da publicação de anúncios, oferecendo um serviço de acolhimentos para idosos. Aos interessados, mostrava um apar­ta­mento, no cen­tro da vila de Lou­sada, que cum­pria os requi­si­tos para a boa aco­mo­da­ção dos uten­tes. Mas quando os idosos ficavam a cargo da família, eram trans­fe­ri­dos para outras casas sem as míni­mas con­di­ções e sem licença para fun­ci­o­na­rem como lares.

Em setembro de 2024, denún­cias de fami­li­a­res de ido­sos, dos ser­vi­ços soci­ais do Hos­pi­tal Padre Amé­rico, em Pena­fiel, e de téc­ni­cos da Câmara de Lou­sada já tinham levado a GNR a rea­li­zar bus­cas nos lares ile­gais. Na altura, nin­guém foi detido, mas a Segu­rança Social deu ordem para encer­rar ime­di­a­ta­mente os espa­ços, mas a ordem acabou por ser ignorada pela família até à intervenção desta semana.

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