As peças que adornaram o palco principal da celebração de Sua Santidade no Santuário de Nossa Senhora da Muxima, em Angola, transportaram a assinatura da Antarte. A empresa, sediada em Rebordosa, Paredes, assinou assim o seu quarto projeto para o Vaticano, consolidando uma ligação histórica que já atravessa três pontificados.
O desafio foi lançado a Mário Rocha, o fundador da empresa, pela Igreja Angolana em janeiro. “Sabiam da nossa ligação histórica com o Vaticano e desafiaram-nos a produzir as peças para esta celebração”, referiu o empresário, acrescentando que aceitou “de imediato”.
No início de fevereiro, Mário Rocha iniciou o processo criativo e desenhou um conjunto de 14 peças. Depois, uma equipa multidisciplinar de 12 profissionais, durante mais de 160 horas de trabalho, concebeu o mobiliário que serviu de fundo à celebração que decorreu este domingo no palco principal em Nossa Senhora da Muxima, com destaque para o cadeirão principal para Sua Santidade, o altar e o ambão principal.
Cumprindo as exigências de sobriedade e sustentabilidade do Vaticano, o conjunto une o know-how português e as matérias-primas locais. O mobiliário foi produzido em madeira de longui e pau-preto, com detalhes em pedra calcária rosada extraída na região da Muxima. No cadeirão, o conforto é assegurado por fibras naturais como algodão e linho, trabalhados em teares artesanais. A zona frontal do cadeirão conta com um pormenor em pedra calcária rosada, similar ao do ambão e do altar.
As peças foram enviadas para Angola no final do mês de fevereiro e Mário Rocha deslocou-se para o local há uma semana, para acompanhar a montagem das peças – realizada por seis funcionários da empresa em Angola – e a conclusão do processo. “Fiz questão de acompanhar o processo de perto desde o seu início, das conversações, até agora. Porque para mim é um grande privilégio”, referiu o empresário.
Esta colaboração marca a quarta vez que a Antarte concretiza projetos para o Vaticano. Em 2010, produziu a cadeira de descanso do Papa Bento XVI, para a visita do sumo pontífice ao Porto, a 14 de maio desse ano. Em 2023, a marca portuguesa materializou uma instalação de arte de 12 esculturas desenhadas pelo arquiteto Siza Vieira, para o Pavilhão do Vaticano na Bienal de Veneza. Em 2024, criou o cadeirão que o Papa Francisco utilizou durante a visita oficial a Timor-Leste.
Sem conseguir materializar o custo de produção das peças, Mário Rocha destaca a dedicação. “Quando fazemos com dedicação, não olhamos a custos. E por isso o apuramento do investimento é muito difícil de fazer. Mais do que os custos, estes projetos são uma honra que jamais esquecerei”, concluiu.
Papa pede esperança no futuro
Na primeira missa presidida em Angola, o Papa recordou a guerra civil e pediu que antigas divisões sejam superadas, assim como o ódio, a violência e corrupção: “Só assim será possível um futuro de esperança, sobretudo para os muitos jovens que a perderam. Irmãos e irmãs, hoje é necessário olhar para o futuro com esperança e construir a esperança do futuro”.
Pediu ainda, perante os milhares de fiéis que ali se reuniram para assitir à celebração, para que se olhe para o futuro com esperança. “Irmãos e irmãs, hoje é necessário olhar para o futuro com esperança e construir a esperança do futuro. Não tenhais medo de o fazer! Jesus Ressuscitado, que percorre o caminho convosco e por vós se parte como pão, encoraja-vos a ser testemunhas da sua ressurreição e protagonistas de uma nova humanidade e de uma nova sociedade”, referiu o Sumo Pontíficie

