A presença do mosquito-tigre (Aedes albopictus), um inseto vetor capaz de transmitir vírus como a dengue, zika, chikungunya e febre-amarela, já foi confirmada em 40 concelhos de Portugal, de norte a sul do país, segundo revela a edição de hoje do Jornal de Notícias. No distrito do Porto, os municípios de Penafiel, Valongo e Marco de Canaveses estão entre os territórios identificados e sob vigilância preventiva.
De acordo com a Direção-Geral da Saúde (DGS), não há registo de casos de transmissão de doenças originadas por este vetor em território nacional. Todos os casos reportados este ano no Sistema Nacional de Vigilância Epidemiológica — designadamente 18 de dengue e quatro de chikungunya — foram classificados como importados, tendo a infeção sido contraída no estrangeiro. Além disso, os testes laboratoriais realizados pela Rede de Vigilância de Vetores (REVIVE) aos exemplares recolhidos revelaram-se negativos para agentes patogénicos.
Por esse motivo, os concelhos onde a presença do mosquito foi identificada, como Penafiel, Valongo e Marco de Canaveses, foram classificados no nível 1 (amarelo) da escala de risco da DGS. Este nível assinala a ausência de circulação ativa dos vírus, mas exige a aplicação rigorosa de medidas preventivas e de controlo contínuo.
Especialistas em saúde pública sublinham que a progressiva expansão geográfica do vetor era previsível devido às alterações climáticas e ao consequente aumento das temperaturas, um fenómeno que também se verifica noutros países europeus. As autoridades reiteram que a situação exige atenção e vigilância, mas não motivo para pânico, uma vez que a probabilidade de o inseto estar infetado é atualmente muito reduzida.
Para conter a proliferação do mosquito-tigre, a DGS apela à colaboração ativa de toda a população, focando-se no gesto simples de eliminar focos de água parada em recipientes como vasos, pratos, baldes e pneus, tanto no interior das habitações como em espaços exteriores e quintais. Ao mesmo tempo, mantêm-se operacionais os sistemas de deteção precoce e resposta rápida a potenciais casos suspeitos.

