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Ministra do Ambiente e Energia, Maria da Graça Carvalho, entrega embalagem no ponto de recolha do Sistema de Depósito e Reembolso Volta, Lisboa, 4 de março de 2026 (Sara Matos/MAEN)

O Sistema de Depósito e Reembolso (SDR) arranca em abril. Com um investimento de 150 milhões de euros, o objetivo é atingir uma taxa de reciclagem de 90% até ao final da década.

Portugal prepara-se para uma mudança profunda nos hábitos de consumo e gestão de resíduos. A partir de abril, entra em vigor o Sistema de Depósito e Reembolso (SDR), operado sob a marca Volta. A iniciativa, apresentada em Lisboa pela Ministra do Ambiente e Energia, Maria da Graça Carvalho, promete transformar embalagens usadas em valor monetário direto para os portugueses.

Como funciona o sistema?

O mecanismo é simples e baseia-se no princípio da economia circular: “uma garrafa volta a ser uma garrafa”.

  1. O Depósito: Ao comprar uma bebida em embalagem de plástico, alumínio ou aço (até 3 litros), o consumidor paga um valor adicional de 0,10€.

  2. A Entrega: A embalagem vazia deve ser entregue num ponto de recolha. É essencial que o símbolo Volta esteja presente e o código de barras esteja legível.

  3. O Reembolso: O valor de 0,10€ é integralmente devolvido. O cidadão pode optar por:

    • Talão para desconto em compras ou dinheiro vivo;

    • Crédito digital em cartões de fidelização;

    • Doação do valor a instituições de solidariedade.

Uma rede de proximidade

Para garantir a eficácia do sistema, será montada uma infraestrutura robusta em todo o território nacional:

  • 2.500 máquinas de recolha automática em supermercados;

  • 8.000 pontos de recolha manual;

  • 48 quiosques para grandes quantidades em zonas urbanas densas.

Calendário de Implementação

A transição será faseada para permitir a adaptação do mercado e dos consumidores:

Período Regras
10 de abril a 9 de agosto Fase de Transição: Apenas embalagens com o selo “Volta” pagam depósito e dão direito a reembolso.
A partir de 10 de agosto Obrigatoriedade: Todas as embalagens de bebidas de utilização única no mercado integram obrigatoriamente o sistema.

Impacto Económico e Ambiental

Com um investimento de 150 milhões de euros por parte de um consórcio que une a indústria de bebidas e o retalho alimentar, o projeto prevê a criação de 1.500 postos de trabalho.

Do ponto de vista ambiental, as metas são ambiciosas. “O SDR é uma verdadeira reforma estrutural”, afirmou Maria da Graça Carvalho. Portugal pretende saltar de uma taxa de recolha inicial entre 40% e 70% no primeiro ano para os 90% em 2029, cumprindo as exigentes metas da União Europeia.

“Queremos garantir que o setor dos resíduos responda aos desafios modernos, melhorando os comportamentos de separação e reforçando a infraestrutura nacional”, sublinhou a governante.

Este sistema integra-se no Programa TERRA, uma estratégia mais ampla do Governo para modernizar a gestão de resíduos e acelerar a transição para uma economia mais sustentável.

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