Os concelhos de Valongo, Paredes, Gondomar e Paços de Ferreira assinaram ontem, na Praça da Democracia, em Valongo, o ato fundador da Associação de Municípios do Rio Ferreira. A iniciativa surge para dar uma resposta à degradação ambiental que afeta o curso de água, superando as fronteiras administrativas que até agora limitavam as intervenções isoladas de cada autarquia.
Candidaturas a fundos comunitários na mira
Para Paulo Esteves, presidente da Câmara Municipal de Valongo, a criação da associação era o único caminho lógico para salvar o rio. “O rio Ferreira atravessa quatro municípios e não fazia sentido cada um estar a tentar despolui-lo de forma isolada. Agora temos de estar todos sintonizados e prontos para candidatar-nos aos fundos existentes para salvar os recursos hídricos”, sublinhou o autarca.
Paulo Esteves adiantou que será constituída no imediato uma equipa técnica para elaborar os projetos de candidatura aos programas de financiamento PRÓ~RIOS 2030 e 2040, que privilegiam projetos de âmbito intermunicipal. “É o ponto zero ideal para começarmos a apresentar estes projetos”, destacou.
A urgência e a perspetiva de futuro foram igualmente vincadas por Paulo Ferreira, presidente da Câmara de Paços de Ferreira, que considerou o arranque da associação como “o primeiro de muitos passos para devolver à população a preservação do meio ambiente”. O autarca manifestou enorme satisfação por ver os quatro concelhos unidos num projeto “que vai ultrapassar largamente as câmaras municipais”, contando com o envolvimento ativo das juntas de freguesia e da comunidade local.
Rio Sousa também precisa de intervenção
A expetativa em torno do impacto desta união foi reforçada por Alexandre Almeida, presidente da Câmara Municipal de Paredes, que lembrou o sucesso de parcerias anteriores, como o Parque das Serras do Porto e o Corredor do Leça, antecipando que o rio Sousa deverá ser o próximo a necessitar de uma intervenção semelhante.
Alexandre Almeida destacou a importância de aceder a financiamento para contratar guarda-rios e proceder à limpeza regular das margens. Apontou ainda que o timing da criação da associação é ideal, pois enquanto os projetos são desenhados, prevê-se a resolução definitiva do principal foco de poluição da bacia hidrográfica: a ETAR de Arreigada. “O rio nunca será aquilo que foi no passado, mas com a ETAR a funcionar voltará a ser um rio em que vai dar gosto tomar banho, visitá-lo e caminhar nas suas margens”, perspetivou.
Apoio institucional e modelo de cooperação voluntária
A nova estrutura conta com o forte acolhimento das entidades de tutela ambiental e regional. José Pimenta Machado, presidente da Agência Portuguesa do Ambiente (APA), esteve presente na cerimónia e garantiu total disponibilidade da instituição para apoiar o projeto: “Os rios não conhecem limites administrativos, conhecem limites hídricos. É fundamental recuperar o bom estado da qualidade da água e, depois, trabalhar as margens.”
Também Pedro Machado, presidente da CCDR-N (Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Norte), enalteceu o caráter voluntário da iniciativa, salientando que, ao contrário de outras estruturas regionais, “as associações de municípios nascem de uma vontade própria de autarcas que reconhecem um problema comum e pretendem combatê-lo de forma articulada”.

