Escrever sobre a capacidade de cada falante poder usar a língua, não me parece difícil e sim, um tema oportuno já que, todos, cada um de nós, precisa de comunicar.
É claro que a Língua está em permanente evolução e a linguagem dos jovens, todos sabemos também, contribui muito para a renovação linguística.
Hoje, o vocabulário jovem soa estranho, mas, por outro lado, todos sabemos também, há expressões que só os jovens identificam e usam diariamente. Não só hoje, afinal, quase sempre, essa linguagem esteve em ebulição e, se algumas das suas expressões passam de moda, há outras que ficam e que se integram, quase naturalmente, no código linguístico…
Neste momento do texto, o que escrevo parece uma preparação de aula sobre Linguística mas, de tempos a tempos, muito naturalmente, todos devemos reflectir sobre o que se passa com o código que usamos para comunicar. Chegada a este momento da reflexão que me proponho fazer, sem pretender impingir uma qualquer lição sobre Linguística, sabe-me bem dizer ou concluir que, à semelhança do que se faz com a escolha da roupa ou do estilo do corte de cabelo, é quase forçoso reparar no que se passa com a língua como código de comunicação. Uma qualquer língua que tem também valores emotivos, conforme os diferentes grupos etários ou sociais que a usam…
Professores de Linguística no tempo actual, afirmam que nada disto constitui uma surpresa já que, esta evolução, pode ser considerada perfeitamente normal. Cada nova geração, pretende distanciar-se das gerações anteriores e, os mais velhos, também naturalmente, deverão poder aceitar a inclusão de novas expressões que, tantas vezes, não passam de “modismos linguísticos” que acabam por desaparecer com o tempo ou por cair em desuso quando os jovens crescem ou se tornam adultos.
Sei também, sabemos todos, que no tempo actual, as redes sociais ajudam a criar marcadores de identidade e, como sempre aconteceu, hoje mais ainda, existem múltiplas comunidades, cada uma com a sua gíria relativa à linguagem que usa. Hoje, para os mais velhos, ainda parece difícil a introdução do “bué” na linguagem corrente mas, aos poucos, isso deixa de ser preocupante. Hoje, como disse, são também as redes sociais que ajudam a criar os tais marcadores de identidade e, não é por acaso que muito do nosso vocabulário que vai renovando a língua, deixa pais e professores cheios de perguntas mas, em simultâneo, ajuda a acrescentar que também há uma necessidade social que contribui para manter uma linguagem próxima da norma linguística. Continuará a haver uma linguagem padrão que está fora da incompatibilidade total entre gerações e, sobretudo, a necessidade de lembrar que muitas das expressões, quase estranhas, que os jovens usam hoje, não passam de tendências digitais que, brevemente, serão substituídas…
Sem dúvida que os falantes têm toda a liberdade para experimentar e alterar a língua mas, os mais velhos, sobretudo, deverão saber manter um papel conservador, no sentido da preservação e do ensino da Língua padrão.
É meu e nosso dever, ajudar a preservar o nosso código de comunicação… Foi, é nesse sentido também, que apresentarei brevemente um novo livro onde começo por dizer que “Ninguém escreve sem antes viver muitos livros lidos ou muito esforço de concentração que a leitura exige.” Ou ainda porque, “quando lemos, a imaginação acende-se e daí, poderá nascer um livro…”
Um novo código, uma nova linguagem, novas escolhas e mais movimentos sociais que contribuem, sempre, para que o nosso processo de comunicação evolua e se adapte aos tais modismos linguísticos de cada geração…

