JocelinoMoreira Final
PS viu na demissão de Jocelino Moreira uma falha no compromisso assumido com a população de Raimonda

O Secretariado do PS reagiu oficialmente à saída de Jocelino Moreira da presidência da Junta de Freguesia. Em comunicado, o partido sublinha a legitimidade de autarcas ocuparem cargos de confiança política na Câmara mas apela à “responsabilidade perante os eleitores”.

O Partido Socialista (PS) de Paços de Ferreira quebrou o silêncio sobre a demissão de Jocelino Moreira, agora ex-presidente da Junta de Freguesia de Raimonda. Através de um comunicado enviado às redações ao final da tarde desta segunda-feira, a estrutura concelhia socialista manifestou o seu desagrado com a forma como o autarca abandonou o cargo, recusando validar as razões apontadas pelo próprio na sua carta de renúncia.

Crítica à “pressão” invocada

O autarca socialista terá justificado a sua saída com a alegada pressão política exercida por dirigentes de outras forças partidárias. No entanto, o PS é taxativo: “não se identifica com os fundamentos apresentados”. Para o Secretariado local, a cultura política do partido não reconhece este tipo de argumentação como motivo válido para a interrupção de um compromisso eleitoral.

“A decisão de renunciar a um mandato autárquico deve ser ponderada e pautada pela responsabilidade perante os eleitores”, lê-se no comunicado, num tom que sugere que o gesto de Jocelino foi visto como uma falha no compromisso assumido com a população de Raimonda.

A questão da incompatibilidade legal

Um dos pontos centrais da polémica — e que motivou o esclarecimento do partido — prende-se com a acumulação de funções ou a transição para cargos de assessoria na Câmara Municipal. O PS assegura que “não existe qualquer incompatibilidade legal” para que um Presidente de Câmara escolha um Presidente de Junta para o cargo de chefe de gabinete, adjunto ou secretário.

O partido sublinha ainda que esta é uma escolha de cariz pessoal e institucional do Presidente da Câmara, desresponsabilizando a estrutura partidária por tais nomeações.

Apelo à estabilidade

O comunicado termina com um voto de confiança nos restantes eleitos do PS na freguesia, apelando à “serenidade” e à “cooperação institucional”. O partido vinca que os interesses das populações devem estar acima de “gestos unilaterais”, garantindo que o trabalho em Raimonda e no concelho continuará a ser assegurado pelos restantes membros da lista socialista.

A renúncia de Jocelino Moreira abre agora caminho para a reorganização do executivo da Junta de Freguesia de Raimonda, num clima agora tenso entre o ex-autarca e a estrutura concelhia do seu partido.

Comunicado do Partido Socialista

“O Partido Socialista tomou conhecimento da carta de renúncia do camarada Jocelino Moreira ao mandato de Presidente da Junta de Freguesia de Raimonda.
O PS não se identifica com os fundamentos apresentados. A decisão de renunciar a um mandato autárquico deve ser ponderada e pautada pela responsabilidade perante os eleitores. A justificação invocada — alegada pressão resultante de posições públicas de dirigentes de outras forças políticas — não encontra correspondência na cultura política que o Partido Socialista defende.
Importa ainda esclarecer: não existe qualquer incompatibilidade legal para que o Presidente da Câmara designe um Presidente de Junta para chefe de gabinete, adjunto ou secretário. Essa escolha é legítima e compete ao Presidente da Câmara, não ao partido.
O PS respeita as decisões individuais, mas não pode confundir opções pessoais com responsabilidade institucional. A estabilidade dos órgãos autárquicos e o interesse das populações devem estar acima de qualquer gesto unilateral.
Mantemos confiança nos restantes eleitos do PS para continuarem a defender as freguesias e o concelho com serenidade, cooperação institucional e respeito pelo voto dos cidadãos.
Paços de Ferreira, 22 de março de 2026
O Secretariado do Partido Socialista“

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