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No Dia Internacional de Ação pelos Rios, que se celebra hoje, dia 14 de março, o movimento “Mataram o Rio Ferreira” alerta para a ineficácia da ETAR de Arreigada e para os sucessivos atrasos no novo concurso de 21,6 milhões de euros e denuncia que a poluição ambiental do Rio Ferreira persiste, perpetuada por uma gestão técnica e política que continua a falhar ao ecossistema e às populações.

Segundo o movimento, o foco do problema ambiental no Rio Ferreira permanece na ETAR de Arreigada. Após uma requalificação anterior de 5 milhões de euros que se revelou um fracasso técnico — resultando na descarga de efluentes praticamente sem tratamento — o rio sobrevive graças a um equipamento provisório instalado em 2023 que, embora tenha um desempenho superior ao “projeto falhado”, continua a ser insuficiente para processar a totalidade do caudal.

Atualmente, encontra-se a concurso um novo projeto de remodelação da ETAR, um projeto de 21,6 milhões de euros, com previsão de execução de 2,5 anos, financiado pelo Norte 2030. No entanto, o processo já enfrenta obstáculos, nomeadamente atrasos no concurso, já que o prazo para apresentação de propostas foi alargado para março de 2026 devido a dúvidas técnicas não esclarecidas. “Um novo adiamento parece cada vez mais provável. A ETAR é prioridade máxima do PENSAARP 2030, os atrasos no concurso prolongam o impacto ambiental sobre o rio”, refere o movimento “Mataram o Rio Ferreira”.

A situação ultrapassou as fronteiras locais. Em dezembro de 2025, a Comissão Europeia avançou com uma ação no Tribunal de Justiça da União Europeia contra o Estado Português. Em causa está o incumprimento sistemático da diretiva sobre o tratamento de águas residuais urbanas, sendo Paços de Ferreira uma das aglomerações abrangidas pelo procedimento de infração em curso.

“Esta causa não é simbólica. É uma situação concreta, com impactos ambientais reais, e que continua por resolver”, afirma o movimento cívico.

O grupo defende que, além das obras, é imperativo implementar soluções redundantes (sistemas de segurança) e um reforço severo da fiscalização para garantir que o dinheiro público se traduz, finalmente, na recuperação da qualidade da água.

 

 

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