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Uma reação alérgica a uma picada de vespa asiática dá sempre “um primeiro aviso”. Quem o assegura é Filipe Serralva, médico especialista em Medicina Interna, segundo quem este princípio é aplicável a todos os tipos de alergias.

A morte recente de um homem de 69 anos em Jugueiros, Felgueiras, vítima de um choque anafilático após ser picado por uma vespa asiática durante as vindimas, voltou a acender o alerta para os perigos das reações alérgicas graves.

Segundo Filipe Serralva, situações dramáticas como esta raramente acontecem “do nada” e costumam ser precedidas por um sinal de alarme. “No primeiro episódio o corpo não reage tanto. O organismo está a aprender a ler aquela substância e a criar anticorpos contra ela. O problema surge no segundo contacto, onde a reação é muito mais violenta”, explica.

Segundo o médico, ter tido uma reação a uma picada anterior — seja de abelha ou vespa — é o “primeiro aviso” e obriga a agir. “Após esse sinal, a pessoa deve procurar o médico de família para ser encaminhada para uma consulta de Imunoalergologia. É fundamental fazer o estudo para saber exatamente a que se faz alergia”.

A caneta de adrenalina que ganha tempo e salva vidas

Para quem tem diagnóstico de alergia grave, a prevenção passa por andar com uma caneta de adrenalina que, apesar de não substituir os cuidados médicos, “permite ganhar tempo precioso enquanto não chega a ajuda diferenciada”.

O local do corpo onde se dá a picada também determina a gravidade da situação. As picadas na cabeça e pescoço são as mais perigosas, pois a proximidade com as vias respiratórias pode levar a um edema da língua e da glote, impedindo a passagem de ar. Nestes cenários, as equipas de emergência tentam desobstruir a via aérea e entubar o doente. Se o socorro for atempado e a medicação fizer efeito, o doente recupera sem deixar sequelas. “Mas o mais importante a fazer é alertar imediatamente o 112 e adotar, se necessárias, as medidas de suporte imediato de vida, como a colocação em posição lateral, se estiver inconsciente, ou as manobras de reanimação, se não respirar”, concluiu.

Terá sido precisamente na cabeça que foi picado o homem de 69 anos que morreu quando estava a vindimar em casa de um familiar, em Jugueiros, no concelho de Felgueiras. Quando os meios de socorro chegaram ao local, o idoso estava em paragem cardiorrespiratória. Apesar dos esforços, não foi possível reverter o quadro.

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