A instituição celebrou mais um aniversário num encontro que reuniu irmãos, utentes e várias entidades convidadas. A data serviu para evocar mais de cinco séculos de dedicação à assistência social na região.
A Misericórdia de Penafiel assinalou o seu 517.º aniversário. O programa comemorativo incluiu a tradicional Missa na Igreja da Misericórdia, a cerimónia de investidura de novos Irmãos e momentos de celebração extensivos aos utentes e colaboradores das Estruturas Residenciais para Idosos da instituição.
Em nota institucional, a Mesa da Misericórdia sublinhou o espírito de “confiança no presente e esperança no futuro”, destacando a relevância da “sã convivência” entre a comunidade, os parceiros e a irmandade ao longo de mais de cinco séculos de atuação.
Uma história enraizada no século XVI
Embora a documentação oficial da concessão do Compromisso (estatutos) e da proteção real date de 1614, sob o reinado de D. Filipe II (e de aprovações locais no século XVI), a tradição histórica da instituição fixa a sua fundação no ano de 1509, ainda no reinado de D. Manuel I.
À semelhança do movimento de criação das Misericórdias portuguesas — impulsionado no final da Idade Média pela Rainha D. Leonor de Lencastre —, a Misericórdia de Penafiel (à data Arrifana de Sousa) nasceu para dar resposta à falta de políticas públicas de proteção social, assumindo as 14 obras de misericórdia corporais e espirituais.
Ao longo dos séculos XVII e XVIII, a instituição consolidou o seu património através de legados de alma e doações, o que permitiu expandir a sua ação de amparo aos carenciados e construir a atual Igreja da Misericórdia — edifício do século XVII decorado com altares em talha dourada e policromada. A relevância do templo chegou ao ponto de, em 1772, ter sido temporariamente designado como catedral da efémera diocese de Penafiel, criada por D. José I.
Da saúde à vertente social: a evolução do apoio à comunidade
A assistência médica e o acolhimento foram sempre pilares centrais da Misericórdia de Penafiel:
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Século XVIII: Em 1745, a instituição começou a contratar médicos sob regime de avença (“médico do partido”) e, em 1769, fundou a sua própria botica (farmácia) para abastecer o hospital e a população carenciada — estabelecimento que deu origem à farmácia que ainda hoje subsiste.
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Século XIX: Face ao crescimento das necessidades, em 1894 foi inaugurado o novo edifício hospitalar nas antigas instalações do Convento dos Capuchos, a par da criação de enfermarias para inválidos (1876) e de um asilo para raparigas pobres (1893).
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Século XX e XXI: Trás a nacionalização do seu hospital em 1975, na sequência da revolução de abril, o complexo hospitalar centenário acabou por ser devolvido à tutela da Misericórdia em 2002.
Resposta moderna aos desafios atuais
Nas últimas décadas, a Misericórdia de Penafiel diversificou substancialmente as suas valências sociais para responder às novas exigências demográficas e familiares da região.
Atualmente, a instituição foca a sua intervenção no apoio à terceira idade — através de estruturas como a Casa de Repouso D. Manuel I, os lares de Santo António e São Martinho, o centro de dia e o serviço de apoio domiciliário — e na infância, através de equipamentos como a Creche Santo António e o centro infantil “O Capuchinho”.
Com a celebração destes 517 anos, a Misericórdia de Penafiel e o seu provedor, João Oliveira, reafirmam o seu papel como uma das principais referências locais de ação e solidariedade social, aliando a sua matriz histórica a um modelo de apoio moderno e aberto à sociedade.


