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Fui e continuo a ser Professora e, mesmo que esteja fora da Escola, continuo a sentir que os Professores estão esgotados. Talvez porque, também, o povo está esgotado!

Vemos, pela Imprensa, a disparidade dos números da greve que se anuncia mas, simbolicamente, todas as imagens de manifestação dos professores, simbolizam o esgotamento de uma classe inteirinha que Maria de Lurdes Rodrigues, de má memória, se esforçou por destruir. Afogou a classe em burocracias, em precariedade, em supostas exigências inaceitáveis e absurdas.

Não conta para nada o facto de o Governo repetir ironicamente que esta é a “Geração mais qualificada de sempre”, se esquece que quem está a contribuir para esse dado estatístico é tratado tão mal, de forma tão pouco humana…

Tanta coisa que os professores no activo reclamam cheios de razão! O que é isso da municipalização dos concursos de professores? Ainda mais poder para as autarquias? Isso seria também uma gota de água, um disparar da pressão de uma panela que está ao lume há alguns anos… Tanta coisa que está mal, hoje! O Estado Social, a Saúde, a Justiça, a Educação… estão a esboroar-se sob os auspícios de um Governo Socialista que perdeu toda a credibilidade e que está sem jeito nenhum… Os casos e casinhos aumentam e cada dia que passa apresenta mais um caso e há muita gente a sofrer com isso! Da escolha de Presidente da Junta de Freguesia à de membros do Governo, teríamos todos de ser mais exigentes. Muito mais exigentes! Já não sei se sou eu, em compromisso com tantos professores esgotados, que estou a exagerar mas, se Costa finge tantas vezes mudar de discurso para parecer bem, a ideia de, a partir de agora é que vai ser, não funciona porque, afinal, é mesmo quase tudo a fingir… A questão é que uma página não vira porque o Primeiro-Ministro decide. Os problemas existem porque a sociedade é mesmo desigual e, se um Professor, hoje, com 50 anos, ganha mil euros, uma administradora da TAP tem 500 mil euros de indemnização para sair da empresa e uma deputada chamada Jamila Madeira acumula salários sem que nada de mal lhe aconteça…

Na verdade, o que sinto mesmo é que vivo integrada numa sociedade organizada entre Nobreza e Povo ou coisa parecida… Se ao povo se pede tudo, à nobreza permite-se tudo e, mais ainda, dá-se tudo e mais alguma coisa…

Esta e outras questões paralelas, funcionam como uma pequena explicação para o tamanho da manifestação dos professores. Estou com eles! Concordo com eles! Estarei com eles no terreno, se for preciso!

Já não se pode dizer “que se lixe o ministro” porque o Ministro não está a fazer nada. Mas talvez se possa gritar que a classe dos professores tem sido maltratada ao longo dos anos. Muito mal tratada! O gatilho surgiu no início do ano lectivo a propósito do recrutamento e mobilidade dos docentes. Surgiram depois muitos outros problemas. Acontece que há mesmo imensas razões para que os professores reajam. E ninguém deveria ficar indiferente…

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