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Pároco e encenador, José Augusto louvou a superação do elenco amador. “Não tenho palavras para lhes agradecer".
Academia Pro. Albino de Matos

O Grupo de Teatro de Santa Eulália apresentou, esta sexta-feira à noite, uma das obras mais marcantes da dramaturgia e da literatura lusófona: “O Auto da Compadecida”, do escritor brasileiro Ariano Suassuna. A sessão teatral decorreu ao ar livre, junto ao cruzeiro da Igreja Paroquial, e contou com uma moldura humana que encheu as duas bancadas amovíveis instaladas no local.

Reconhecida pela sua forte componente de humor, crítica social e profunda mensagem humana e cristã, a peça promete momentos de diversão, reflexão e emoção direcionados para públicos de todas as idades. O espetáculo conta com o apoio da Comunidade Interparoquial de Meixomil e Paços de Ferreira.

A encenação esteve a cargo do Pároco José Augusto, que descreveu a representação como “fabulosa e fantástica”, destacando o “brilhantismo” dos atores que subiram ao palco. O responsável partilhou ainda o esforço coletivo invisível por trás do projeto: “O que vocês acabaram de ver teve a duração de 48 dias e 192 horas, o tempo que passámos juntos para que isto fosse possível… obrigado!”.

Num discurso emotivo de agradecimento, o pároco e encenador louvou a superação do elenco. “Não tenho palavras para lhes agradecer. Eles achavam que não eram capazes, mas eu acreditei sempre. A determinada altura fui eu que desacreditei e eles fizeram-me acreditar. O mérito é de cada um deles, a quem deixo ficar um abraço muito grande. Sois fabulosos e fantásticos”, declarou.

Do Sertão ao Juízo Final

Escrita em 1955, “O Auto da Compadecida” é uma das obras mais emblemáticas do teatro nordestino. Para esta produção, o Cruzeiro de Paços de Ferreira transformou-se temporariamente no sertão para acolher as hilariantes aventuras de João (neste caso Joana) Grilo e Chicó, dois sertanejos que usam a astúcia para sobreviver à miséria e enganar os poderosos da sua vila.

Entre golpes geniais e muita comédia, a história atinge o auge quando as personagens se confrontam no Juízo Final. Diante do Diabo e com a salvação em risco, a reviravolta surge pela mão da Compadecida (Nossa Senhora), que intercede com misericórdia pelas fraquezas humanas, unindo o humor popular à mensagem cristã.

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A sessão teatral junto ao Cruzeiro contou com bancadas repletas a assistir

A peça volta a ser representada no próximo domingo, 28 de junho, às 17h30, no mesmo local. No encerramento da sessão de estreia, o Pároco José Augusto deixou um conselho bem-disposto a quem assistiu: “se alguém vos perguntar o que se passou aqui esta noite, digam-lhes: ‘Não sei. Só sei que foi assim!’”.

A entrada é inteiramente gratuita, num convite aberto a toda a população para apoiar o teatro local e desfrutar de uma história que continua a encantar gerações.

INFORMAÇÕES DO EVENTO:

  • Espetáculo: “O Auto da Compadecida” (de Ariano Suassuna)

  • Companhia: Grupo de Teatro de Santa Eulália

  • Próxima Sessão: Domingo, 28 de junho, às 17h30

  • Local: Cruzeiro da Igreja Paroquial de Paços de Ferreira

  • Preço: Entrada gratuita

  • Apoio: Comunidade Interparoquial de Meixomil e Paços de Ferreira

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