Fábrica 1

O relatório “O Futuro da Economia Portuguesa – Preparar a retoma pós COVID-19”, promovido pela Associação Empresarial de Portugal (AEP), indica “a economia digital, a inovação e o investimento como os fatores críticos de competitividade para alavancar e acelerar a fase de recuperação”.

Em comunicado, a AEP referiu que o estudo assenta numa análise da evolução da economia portuguesa até à crise da COVID-19, partindo da perspetiva nacional e regional, e no impacto económico da crise da COVID-19, para traçar um cenário de futuro.

“Apesar da contração económica gerada pela crise da COVID-19, esta também deverá constituir uma oportunidade para aumentar os níveis de crescimento os próximos anos, se a fase de recuperação for devidamente alavancada. A proposta da AEP passa por uma nova visão de futuro, que consiste em tornar Portugal no país de referência na Europa”, lê-se.

Citado na nota de imprensa, o presidente da AEP, Luís Miguel Ribeiro, refere que “é preciso assegurar uma maior convergência entre as qualificações dos colaboradores e as competências exigidas pelas empresas, a criação de incentivos para a requalificação da população ativa mais velha, para melhoria das suas competências digitais”.

O representante dos empresários portugueses também defendeu “um aumento nos apoios comunitários para a qualificação de recursos humanos e para projetos de tecnologia e inovação, mas também medidas de incentivo à inovação com o intercâmbio entre o tecido empresarial e o sistema científico”.

73% das empresas terão sofrido uma redução nos negócios, 31% com perdas superiores a 50%

O relatório apresentado pela AEP mostra também os “impactos significativos” da Covid-19 na economia portuguesa. Segundo o mesmo, as estimativas são de que o PIB português tenha caído para -2,3% no primeiro trimestre.

“Neste período, as exportações terão caído -4,9% e as importações -2,1%, além do comércio interno, em -1,0%. Estas estimativas refletem-se na operação das empresas, com 73% a sofrerem uma redução no seu volume de negócios, 31% das quais com perdas superiores a 50%”, avançou a AEP.

Estas alterações também trouxeram consigo uma redução do número de funcionários a trabalhar, “sendo que os principais motivos foram os dias de falta por doença ou para apoio à família (em 48% das empresas) e o recurso ao layoff (40% das empresas)”.

O estudo mostra ainda que 26% das empresas despediram colaboradores ou pretendem despedir, 21% das empresas tenciona avançar com processos de recuperação e 6% vai avançar para insolvência. Os setores do alojamento e restauração, e transportes e armazenagem foram os mais afetados.                

Perante o impacto causado pela pandemia, o Governo disponibilizou várias medidas de resposta à crise. Porém, de acordo com o relatório da AEP, uma grande parte das empresas evidenciam que não beneficiaram nem planeiam vir a beneficiar destas respostas. Das medidas analisas, a moratória ao pagamento de juros e capital de créditos já existentes, foi a que teve menor adesão, apenas 25,7% das empresas em Portugal recorreu ou planeia recorrer a ela. Já 29,1% das empresas afirma ter beneficiado ou planeia vir a beneficiar da medida de bonificação e garantias no acesso a novos créditos. Já a suspensão de pagamentos e obrigações fiscais e contributivas, foi a medida de resposta à crise que mais beneficiou as empresas, 33,7% de pequenas e médias empresas (PME) e 12,3% de grandes empresas.          

“Ainda no que diz respeito às medidas de resposta à crise, a grande maioria, cerca de 62% das empresas, considera que os programas de apoio do Estado estão aquém do necessário e apenas 20% considera que estão à altura das dificuldades das empresas. No entanto, apesar de 82% defenderem o layoff, 65% não pediu, nem pensa vir a recorrer a este instrumento, enquanto um quarto afirma que já recorreu. Mais de metade das empresas defende ainda a prorrogação do diferimento do pagamento de contribuições fiscais e 75% defende o retorno do banco de horas individual”, lê-se na nota.

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