Em partida referente à 8.ª jornada da Decathlon Liga Pro, o SC Freamunde deslocou-se ao terreno do Gondomar, num encontro em que ambas as equipas procuravam regressar aos resultados positivos, depois das derrotas sofridas na jornada anterior. Os capões vinham de um desaire pesado frente ao Vila Caiz, em casa, enquanto o Gondomar procurava reagir à derrota por 2-0 na deslocação ao terreno do Baião.
A partida começou com a equipa da casa a assumir maior iniciativa, perante um Freamunde que procurava equilibrar o jogo e encontrar espaços para chegar à baliza adversária. Filipe foi chamado a intervir numa primeira ameaça, através de um remate de meia distância, mas, aos 20 minutos, surgiu um lance que acabaria por marcar o rumo do encontro: Vilela viu o segundo cartão amarelo e deixou os freamundenses reduzidos a dez unidades.
Perante a inferioridade numérica, o técnico reorganizou a equipa, com Cardoso a recuar para lateral-esquerdo e Rosário a ocupar uma posição no eixo da defesa. O Gondomar passou a beneficiar de maior posse de bola e domínio territorial, embora sem criar situações de perigo significativo. Ainda assim, chegou à vantagem aos 34 minutos, com um remate colocado de fora da área, ampliando a diferença aos 42 minutos.
Antes do intervalo, também o Gondomar ficou reduzido a dez jogadores, na sequência da expulsão de um dos seus atletas, após um lance de confronto com um jogador do Freamunde.
No segundo tempo, os capões regressaram com outra atitude, procurando pressionar mais alto e aproximar-se com maior frequência da área adversária. A entrada de Edu Santos, e Meireles trouxeram maior dinâmica ofensiva à equipa, que conseguiu criar algumas situações para reduzir a desvantagem. No entanto, voltou a faltar eficácia no último momento, entre passes que não encontraram destinatário, remates intercetados e intervenções do guarda-redes adversário.
Quando o Freamunde procurava intensificar a pressão em busca do golo, o Gondomar aproveitou uma transição rápida, aos 83 minutos, para estabelecer o resultado final em 3-0. Um resultado pesado para os capões, sobretudo pela resposta demonstrada na segunda parte, embora a expulsão ainda na fase inicial tenha condicionado claramente a estratégia da equipa.
Adeptos contestam e levam jogadores às lágrimas
No final do encontro, a insatisfação de alguns adeptos freamundenses fez-se sentir, com vários jogadores a serem chamados a prestar esclarecimentos sobre os resultados da equipa. Um momento de tensão e emoção, que deixou marcas visíveis em alguns atletas, incapazes de esconder as lágrimas perante a contestação.
É precisamente neste contexto que importa olhar para uma realidade que, por vezes, parece ser esquecida: os jogadores do SC Freamunde não são profissionais de futebol. São, isso sim, atletas que demonstram um profissionalismo assente na dedicação, no compromisso e, acima de tudo, no amor ao clube.
Muitos deles chegam aos treinos depois de um dia inteiro de trabalho, percorrem dezenas de quilómetros e abdicam de tempo pessoal para representar o Freamunde. Fazem-no por paixão, pelo compromisso com o grupo e pelo orgulho de vestir uma camisola que representa muito para si.
Ninguém deseja mais as vitórias do que os próprios jogadores. São eles que entram em campo, que sentem a frustração das derrotas e que convivem diariamente com a vontade de fazer mais e melhor. Depois de uma semana de trabalho, também eles querem chegar ao fim de semana e dar alegrias aos adeptos. Perder nunca é o objetivo, muito menos para quem tanto abdica para estar ao serviço do clube.
A exigência dos adeptos é legítima e faz parte da paixão pelo futebol. O SC Freamunde tem uma história, uma massa associativa e uma dimensão que justificam ambição e vontade de vencer. Mas também é importante reconhecer a realidade de quem representa o clube dentro das quatro linhas. Não se pode exigir a atletas que conciliam a vida profissional e pessoal com o futebol as mesmas condições e disponibilidade de jogadores que vivem exclusivamente da modalidade.
A crítica faz parte do futebol, mas o respeito também deve fazer parte dessa relação. Porque, por detrás de cada resultado, existem pessoas, famílias, sacrifícios e uma dedicação que nem sempre é visível para quem está nas bancadas.
Estes jogadores também sofrem com as derrotas. Também sentem o peso dos resultados e são os primeiros a querer inverter o momento. Acima de tudo, querem aquilo que qualquer adepto deseja: ver o Freamunde vencer.
Sérgio Meireles


